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Guerra no Irã e Estreito de Ormuz: França anuncia medidas para profissionais diante da alta dos combustíveis e do GNR

Agricultor abastecendo trator e verificando dados de consumo no celular em posto rural.

Desde o início da guerra no Irã, os preços dos combustíveis dispararam na França, colocando sob pressão vários setores económicos essenciais. No começo desta semana, o governo anunciou um primeiro pacote de medidas voltado sobretudo a profissionais - e não ao público em geral.

Impacto do Estreito de Ormuz nos combustíveis e nos fertilizantes

O fecho do Estreito de Ormuz pelo Irã segue a produzir efeitos no mundo inteiro. Vale lembrar que esse corredor estratégico concentra uma parcela muito significativa dos fluxos globais de petróleo; quando ele é interrompido, a oferta fica imediatamente tensionada.

Em apenas três semanas e meia, o diesel não rodoviário (GNR), combustível usado sobretudo em máquinas agrícolas, passou de € 1,30 para € 1,95 por litro. Os fertilizantes também encareceram, já que o Estreito de Ormuz responde por 33% do tráfego mundial desses produtos. Diante da dimensão do problema, o governo anunciou uma série de medidas nos dias 23 e 24 de março.

Quem é afetado?

Na segunda-feira, o Estado comunicou inicialmente medidas para transportadores rodoviários e pescadores. No caso do transporte, haverá possibilidade de parcelar prazos fiscais e adiar contribuições sociais, sem custos nem acréscimos. Para a pesca, foram colocados à disposição empréstimos de tesouraria com garantia da Bpifrance, além de mecanismos semelhantes de escalonamento.

Na terça-feira, a ministra da Agricultura, Annie Genevard, falou com agricultores na BFMTV. Ela destacou, em primeiro lugar, a possibilidade de adiar contribuições à MSA (a segurança social dos agricultores), bem como determinadas obrigações fiscais. Também está previsto um “empréstimo de combustível de curto prazo para aliviar as tesourarias mais afetadas pelo aumento do GNR”.

A questão é especialmente sensível porque os trabalhos no campo recomeçam e, com isso, o consumo de combustível volta a subir. Para os segmentos mais estruturalmente fragilizados pela crise, foram anunciados também “empréstimos estruturais com um saldo de € 500 milhões”. Por fim, foi mencionado um “grande plano de fertilizantes”, sem que a ministra tenha detalhado, por enquanto, o seu formato.

Uma abordagem diferente da dos vizinhos europeus

Diante das mesmas tensões, alguns países europeus optaram por medidas mais diretas. A Itália, por exemplo, reduziu os impostos sobre o combustível em € 0,25 por litro durante 20 dias, enquanto a Suécia passou a aplicar uma queda de € 0,09 na gasolina e de € 0,04 no diesel. Já a Grécia implementou um “cartão digital de combustível” equivalente a uma subvenção de € 0,36 por litro.

A Espanha avançou ainda mais: desde 22 de março, o IVA sobre os combustíveis foi reduzido pela metade, de 21% para 10%, o que representa uma economia média estimada em € 0,20 por litro.

Efeito dominó na petroquímica: a nafta

A crise pode ir muito além do valor na bomba. Todos os meses, passam pelo Estreito de Ormuz cerca de 4 milhões de toneladas de nafta, matéria-prima de toda a indústria petroquímica mundial. Essa substância é usada para produzir plásticos, têxteis sintéticos, medicamentos, cosméticos e tintas: mais de 90% dos objetos do nosso dia a dia dependem dela, direta ou indiretamente.

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