Um funcionário acabou de reconhecer isso.
Promessa do DOGE e de Elon Musk após a eleição de Donald Trump
A expectativa era enorme. Pouco depois da eleição de Donald Trump, ao se juntar ao Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), Elon Musk dizia ser capaz de enxugar em 2000 bilhões de dólares os gastos do orçamento federal dos Estados Unidos.
Em dezembro de 2025, o homem mais rico do mundo acabou admitindo que o órgão tinha gerado apenas 200 bilhões de dólares em economias - um valor muito distante dos 38 000 bilhões de dólares de dívida dos EUA. Em janeiro passado, Nate Cavanaugh, funcionário do DOGE, detalhou em depoimento, no contexto de um processo movido contra o departamento, que o resultado estava longe da meta anunciada.
Questionado por um advogado - “Não se arrepende de que pessoas possam ter perdido rendas importantes… para sustentar suas necessidades?” - ele respondeu: “Não. Acho que era mais importante reduzir o déficit federal de 2 000 bilhões de dólares para um nível próximo de zero”. Quando foi pressionado a dizer se tinha conseguido reduzir o orçamento do governo federal, limitou-se a responder “não”.
Fechamento da USAID e críticas aos métodos
Vale lembrar que as práticas adotadas pela equipe em torno de Elon Musk foram alvo de muitas críticas. Um exemplo é o encerramento abrupto da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que fornecia ajuda humanitária e apoio em situações de desastre, e que teve efeitos dramáticos.
Consequências graves a longo prazo?
Segundo modelos elaborados pela epidemiologista Brooke Nichols, da Universidade de Boston, e divulgados pela School of Public Health da Universidade de Harvard, esse desaparecimento “já causou a morte de seis cent mille pessoas, das quais dois terços são crianças” em apenas alguns meses. Especialistas avaliam que o número de vítimas ainda pode crescer e passar praticamente despercebido, porque “as pessoas morrem por falta de tratamentos ou de doenças evitáveis por vacinação, e porque as mortes são dispersas.”
Impacto interno nos EUA com as demissões
Por fim, os cortes drásticos conduzidos sob a direção de Elon Musk e de seus funcionários também tiveram efeito direto dentro do próprio governo americano. Os 300 000 colaboradores demitidos tinham, na prática, um conhecimento especializado difícil de substituir. Todos possuem diplomas de ensino superior e atuavam para proteger cadeias de abastecimento agroalimentares essenciais para os Estados Unidos. Assim, os efeitos de longo prazo continuam, mais uma vez, difíceis de medir - e não indicam nada positivo.
Scott Kupor, diretor do Office of Personnel Management (OPM), afirmou que as reduções de pessoal do ano anterior foram excessivas. Ele também destacou recentemente que o governo planeja preencher várias vagas dentro do universo de 2 milhões de servidores federais.
Citado pela Fortune, ele explicou: “Francamente, provavelmente precisamos recontratar algumas pessoas com competências específicas. É inegável que, em qualquer reestruturação, às vezes se reestrutura demais ou não se reestrutura o suficiente.”
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