Vender a vitória antes da hora costuma dar errado: a Tesla já comemorava, mas a Europa tratou de esfriar o entusiasmo. Consegue adivinhar quem levou a melhor?
A Tesla parecia certa de que tinha garantido o passe para levar o FSD (Full Self Driving) à Europa - só que, no fim, vai ter de recuar. O regulador neerlandês Rijksdienst voor het Wegverkeer (RDW) apagou rapidamente o tom triunfalista da empresa, que ainda neste fim de semana se dizia convencida de que seu modo de condução autônoma mais avançado estava pronto para ser lançado. A Tesla está longe de convencer a indústria automotiva sobre a confiabilidade do sistema, e tampouco convenceu as autoridades responsáveis pela segurança viária no Velho Continente.
Falso começo para a Tesla: o sonho europeu ainda fora de alcance
Nos redes sociais, a Tesla insinuou que a Europa já estaria pronta para receber o FSD em suas estradas. “O RDW se comprometeu a conceder a aprovação nacional em fevereiro de 2026”, afirmou a marca, chegando a pedir que seus fãs agradecessem ao RDW por “acelerar as coisas”.
A resposta veio rápido. O RDW recolocou a narrativa nos trilhos e lembrou que não homologou absolutamente nada - com exceção de uma demonstração do FSD sob supervisão, e nada além disso. Em comunicado, o órgão reforçou que “a segurança viária continua sendo prioritária” e que o cronograma divulgado “ainda precisa ser confirmado”. Ou seja: não há assinatura, promessa ou garantia. Estamos na Europa, e não no Texas ou na Califórnia.
O que o RDW realmente autorizou (e o que não)
O ponto central da correção é simples: uma demonstração supervisionada não equivale a uma autorização para uso amplo nas vias públicas. Ao afirmar que o continente estaria prestes a receber o FSD, a Tesla tratou como certo um processo que, na prática, ainda está condicionado a avaliações e etapas formais - e a própria autoridade reiterou que o calendário permanece em aberto.
Além disso, o caminho passa por mais do que um único país. Há o obstáculo regulatório que envolve Bruxelas, o que, por si só, torna improvável qualquer “liberação” rápida baseada apenas em declarações da empresa.
Por que a indústria e a Europa resistem ao FSD (Full Self Driving)
Somado à barreira regulatória, a Tesla encara o ceticismo de outros fabricantes em relação ao FSD. Na visão desses atores, aceitar o sistema significaria assumir a responsabilidade por um software ainda em fase de aprendizado - que a empresa coloca nas mãos de clientes como se fossem beta testers voluntários.
Durante anos, Musk se gabou dizendo que as montadoras “não teriam outra escolha a não ser aceitar o FSD”. Agora, ele admite o contrário: “Eles não querem”, escreve, já com um leve tom de amargura.
O Velho Continente não costuma se ajoelhar diante de vendedores de tecnologia que agem como profetas arrogantes - sobretudo quando essas mesmas soluções jamais provaram, com rigor, que conseguem garantir a segurança de milhões de usuários. É o caso do FSD, que tem uma reputação relativamente favorável do outro lado do Atlântico, embora esteja longe de ser maduro, segundo esta investigação.
Um dos aspectos pouco falados da condução autônoma é que os Estados Unidos tendem a ser bem tolerantes com a abordagem da Tesla, que não hesita em vender aos usuários um software ainda incompleto. Isso contrasta totalmente com a regulação europeia, bem mais rígida nesse tema: acostumado a contornar os ciclos de validação americanos, Musk finalmente percebe que a Europa não joga com as regras dele.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário