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Donald Trump e Elon Musk rompem e o impacto pode atingir a Tesla

Homem em pé com braços cruzados olhando pela janela em escritório com carros e gráficos em tela.

De aliados a rivais: Donald Trump e Elon Musk

“De bestial a besta”. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o diretor-executivo da Tesla, Elon Musk, já foram como «unha com carne», mas agora mal conseguem se encarar. E esse embate pode ter efeitos diretos - sobretudo para a Tesla.

Reforma fiscal, déficit e incentivos a veículos elétricos

Depois de deixar o DOGE (Departamento de Eficiência Governamental) no fim de maio, Musk passou a atacar publicamente a ampla reforma fiscal defendida por Trump. A proposta prevê cortes de impostos maiores do que os cortes anunciados (1,6 trilhões de dólares, o mesmo que 1,4 bilhão de euros) na despesa pública.

A diferença entre o tamanho do alívio tributário e a redução de gastos levou o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) a apontar que o plano de Trump pode piorar o déficit dos EUA em 3,8 trilhões de dólares (3,3 bilhões de euros) - hoje em 36,2 trilhões de dólares (31,49 bilhões de euros).

Trump rebate dizendo que, se a medida não passar, os impostos poderiam subir até 68%, algo que ele classifica como “muito pior”.

Após as primeiras críticas de Musk ao projeto, o presidente afirmou estar “desapontado” com a oposição pública do CEO da Tesla. Trump declarou que Musk conhecia a reforma “melhor do que ninguém” e sugeriu que ele estaria apenas preocupado com o fim dos incentivos fiscais à compra de veículos elétricos - benefícios dos quais a Tesla também depende, já que fabrica somente modelos 100% elétricos.

“Elon e eu tínhamos uma boa relação, mas agora não sei se vamos continuar a ter.”

Donald Trump, presidente dos EUA

Musk, por outro lado, contesta essa interpretação e diz que a discordância tem outro motivo. Para ele, a proposta ampliaria o déficit e faria o governo “gastar mais do que aquilo que pode”.

Impacto na Tesla

A participação política de Musk já vinha cobrando um preço para a Tesla, que acumula quedas relevantes nas vendas desde o começo do ano. No primeiro trimestre de 2025, a receita da empresa recuou 20% em relação ao mesmo período de 2024, as vendas caíram 13% e os lucros despencaram 71%.

Em reação às críticas do executivo, Trump ameaçou - via sua rede Truth Social - encerrar subsídios e contratos governamentais destinados às empresas ligadas a Musk, incluindo a Tesla.

“A forma mais fácil de poupar dinheiro no nosso orçamento, milhares de milhões de dólares, é acabar com os subsídios e contratos governamentais do Elon. Sempre me surpreendi que o Biden nunca o tenha feito”, escreveu Trump.

Em outra postagem, ele também afirmou: “Eu não me importo que Elon se tenha virado contra mim, mas ele deveria tê-lo feito há meses atrás. Esta é uma das maiores leis já apresentadas em Congresso”.

O impacto destas declarações foi imediato: as ações da Tesla caíram 14%.

A resposta de Musk

Diante das ameaças do presidente, o diretor-executivo anunciou no X que tiraria “imediatamente” de operação as naves espaciais Dragon, da SpaceX - outra empresa de Musk que recebe subsídios do governo. Essas seriam as únicas naves capazes de levar astronautas norte-americanos até a Estação Espacial Internacional.

Musk também fez outros comentários na mesma rede social. O executivo alegou que as “tarifas comerciais de Trump iriam causar uma recessão no segundo semestre deste ano”.

Além disso, o dirigente da Tesla disse que Trump deveria ser “destituído” e abriu uma votação na qual chegou a sugerir a criação de um novo partido político de centro nos EUA. Dos 4 889 302 usuários que votaram (até a hora de publicação), 80,7% respondeu que “sim”.

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