5 de fevereiro de 2026, 10:58
Crédito da imagem: A. Krivonosov
Importação cinzenta 2025: quais esquemas realmente funcionam e quais já estão a causar problemas
Depois que a maioria das montadoras globais deixou a Rússia em 2022, o mercado mudou de forma acelerada. A importação paralela - também chamada de importação cinzenta - passou para o centro do cenário. Carros começaram a entrar em grande volume via países considerados “amigos”, muitas vezes registados em nome de pessoas físicas ou apoiados em estruturas jurídicas complexas que contornavam os concessionários oficiais. Algumas dessas soluções provaram ser viáveis, mas muitas, entre 2024 e 2025, viraram fonte de dores de cabeça sérias para quem compra. O tema foi analisado pelo 32CARS.RU.
Por que a importação paralela virou fenómeno de massa
O impulso principal para a expansão da importação cinzenta foi a combinação de falta de modelos habituais com a subida de preços. Veículos que antes eram vendidos por canais oficiais, de um momento para o outro, passaram a aparecer apenas por meio de intermediários. Isso criou procura por formatos “alternativos” de trazer o carro.
Parte dessas opções é, de facto, legal e normalmente não levanta dúvidas junto à GIBDD quando todos os pagamentos aduaneiros foram quitados integralmente.
Especialistas apontam que a entrada legal via países da União Económica Eurasiática (UEEA) - Cazaquistão, Arménia e Quirguistão -, desde que respeitada a tarifa aduaneira unificada, continua a ser o caminho mais seguro. Com o desembaraço feito de forma correta, incluindo impostos e a taxa de reciclagem, o veículo é registado na Rússia sem maiores obstáculos. São precisamente esses modelos de operação que hoje são vistos como funcionais e relativamente estáveis.
Quais esquemas ainda são considerados seguros
A alternativa mais confiável continua a ser a importação paralela em nome de pessoa física. Nesse formato, o comprador trata da compra no exterior, paga todas as cobranças obrigatórias e traz o automóvel para uso pessoal. É um processo mais trabalhoso e demorado, mas, do ponto de vista jurídico, o carro fica “limpo”.
Também é tido como relativamente seguro importar por países da UEEA, desde que as regras sejam cumpridas à risca. Comprar um carro no Cazaquistão ou na Arménia pagando todas as taxas nas alíquotas gerais tende a não gerar questionamentos por parte das autoridades russas. As principais dificuldades costumam estar na burocracia, na certificação e na espera pelo PTS eletrónico, mas a exposição ao risco é baixa.
Esquemas que funcionam “até ao primeiro aviso”
Em 2025, a maior parte dos problemas está ligada a fórmulas que pareciam “boas demais para ser verdade”. O chamado “esquema daguestanês” tornou-se um dos mais perigosos. Oferece-se ao comprador um carro novo com preço artificialmente reduzido, registado em nome de um cidadão do Quirguistão e vendido por meio de procuração geral. No papel, o proprietário continua a ser um estrangeiro; o comprador apenas utiliza o veículo.
Na prática, isso significa não ter direito de propriedade efetivo. Qualquer mudança na legislação ou uma fiscalização pode acabar em apreensão do automóvel. Juristas alertam que, juridicamente, esses carros não foram feitos para uso permanente fora do país onde estão registados. Já existem casos em que veículos com placas arménias e abcásias foram retidos, e motoristas foram multados por conduzir um transporte não registado.
Valor aduaneiro: uma armadilha que aparece depois
Outra prática de alto risco é a subdeclaração do valor aduaneiro. O carro é declarado com base numa fatura (invoice) várias vezes inferior ao preço real, para reduzir impostos e a taxa de reciclagem. À primeira vista, tudo parece correr bem: o veículo é colocado em registo, o PTS eletrónico é emitido, e não há sinais imediatos de problema.
O ponto crítico é que a alfândega tem até três anos para fiscalizar. Se for identificada diferença, o proprietário pode receber cobrança adicional de impostos, IVA e taxas. Se recusar o pagamento, o registo pode ser cancelado. Em 2024, já houve situações em que esses valores suplementares chegaram a dezenas de milhões de rublos. Ainda não é algo massivo, mas casos pontuais já são suficientes para aumentar a tensão no mercado.
Bancos e seguradoras também apertaram o controlo
Em 2025, o lado financeiro da importação cinzenta virou um problema à parte. Transferências internacionais são bloqueadas com frequência, e bancos passaram a exigir provas da origem do dinheiro e do objetivo do pagamento. Comprar um carro fora do país, cada vez mais, envolve atrasos e verificações.
O crédito para veículos importados por vias cinzentas segue bastante limitado. Bancos evitam aceitar esses carros como garantia e, quando aprovam, costumam exigir um seguro CASCO caro. As seguradoras, por sua vez, precificam o risco mais alto, o que encarece visivelmente a apólice. No fim, parte da economia obtida na importação desaparece já na etapa de financiamento e seguro.
O que deve acontecer com o mercado a seguir
Em 2025, o Estado começou a fechar brechas de forma sistemática. As exigências para PTS eletrónico foram endurecidas, benefícios ligados à taxa de reciclagem estão a ser revistos e, durante a transferência de propriedade, surgem cada vez mais verificações adicionais. Especialistas preveem um aumento no número de carros “tóxicos”, sobretudo no mercado de usados.
Advogados especializados em direito automóvel recomendam analisar com cuidado o histórico de importação e evitar compras baseadas em procuração. Aos poucos, os esquemas legais de importação paralela tendem a empurrar os formatos cinzentos para fora, mas, para muitos compradores, isso já se traduziu em perdas financeiras. O mercado está a ser depurado - de forma lenta e dolorosa - e deixa um recado para quem acreditou em ofertas “baratas demais”.
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