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Exército Argentino avalia o KNDS CAESAR como Veículo de Artilharia sobre Rodas (VAR)

Veículo blindado de rodas cor bege com canhão, em exposição interna, com placa identificadora CAESAR-AR.

Como parte do projeto de escolha do seu futuro Veículo de Artilharia sobre Rodas (VAR), o Exército Argentino vem colocando o KNDS CAESAR entre as alternativas consideradas para formar um núcleo de modernidade da Arma de Artilharia. A análise do modelo francês se relaciona à necessidade da força por um sistema atual e adaptável, capaz de entregar os requisitos operacionais para equipar unidades que integram a Força de Desdobramento Rápido.

Embora um Relatório de Qualificação Técnica tenha posicionado o KNDS CAESAR abaixo de um de seus concorrentes, esse resultado não teve caráter vinculante nem definitivo, uma vez que o Exército ainda não havia conduzido, até o momento, uma avaliação técnica própria. O VAR francês é visto como uma plataforma consolidada, tanto pelo tempo de serviço quanto, sobretudo, pelas experiências recentes em combate junto às Forças Armadas da Ucrânia.

Atualmente, a KNDS disponibiliza duas versões do CAESAR (CAmion Equipé d’un Système d’ARtillerie), sendo a variante MK2 a mais nova. Essa versão, também chamada de NG, traz melhorias em comparação ao VAR MK1, com avanços em mobilidade, proteção e sistemas de navegação.

Requisitos do Exército Argentino e composição do projeto

A demanda do Exército Argentino, definida no projeto “Incorporação de Veículos de Artilharia para equipar os Grupos de Artilharia Blindada”, prevê um total de 72 VCA, dos quais 36 devem ser do tipo VAR, enquanto o restante deverá ter configuração sobre esteiras. Para essa segunda parcela, o modelo de referência mencionado tem sido o M109 em sua variante KAWEST.

Núcleo de modernidade para a Arma de Artilharia

Para atualizar suas capacidades, o Exército Argentino decidiu adotar o conceito de Núcleo de Modernidade. Com essa iniciativa, busca-se incorporar tecnologias avançadas que permitam gerar inovação e doutrina, além de estabelecer a base para um efeito multiplicador: depois de acumulada a experiência, consolidado o material e havendo disponibilidade de recursos orçamentários, a ideia é expandir o conceito. Como exemplos, podem ser citados os programas TAM 2C-A2 e Stryker, ambos em andamento.

Em entrevista concedida à Zona Militar, o então Chefe do Estado-Maior Geral do Exército (hoje responsável pela pasta da Defesa), o Tenente-General Carlos Alberto Presti, afirmou que, para uma fase inicial do núcleo de modernidade de artilharia, estava em consideração a aquisição de ao menos uma bateria. Ainda assim, não foram apresentados mais detalhes sobre qual tipo de sistema estava sendo examinado ou valorizado naquele período.

Do ponto de vista da Zona Militar, esse núcleo inicial poderia ser direcionado à Força de Desdobramento Rápido (FDR), convergindo para a Xª Brigada Mecanizada, de modo a aproveitar ao máximo o processo de mudanças e a introdução de inovações previsto com a chegada dos VCBR Stryker.

Orçamento 2026–2028 e previsão de investimentos

Entre os Projetos de Investimento Público previstos no orçamento de 2026, a incorporação de novos veículos de combate de artilharia recebeu uma dotação inicial de $ 6.346.333.334 (pouco mais de U$D 4,5 milhões de dólares). Para 2027 e 2028, está planejado um incremento, com $ 41.545 e $ 72.014 milhões de pesos, respectivamente. No agregado, o investimento total fica em torno de $ 376.000 milhões de pesos, equivalente a cerca de U$D 265 milhões de dólares ao câmbio atual.

KNDS CAESAR

Diante da exigência do Exército Argentino por um Veículo de Artilharia sobre Rodas, o KNDS CAESAR surge como uma alternativa bastante consistente, apoiada tanto na maturidade da plataforma quanto nas capacidades oferecidas como sistema de armas. As versões MK1 e MK2 compartilham um conjunto de características: canhão 155 mm / 52 cal., com alcance máximo que vai de +38 km a 55 km (dependendo da munição); cadência de até 6 disparos por minuto; sistema de carregamento automático e semiautomático; capacidade para transportar 18 projéteis completos; e entrada e saída de posição (“bateria”) em 45 segundos.

Diferenças entre CAESAR MK1 e CAESAR MK2 (NG)

As distinções mais relevantes entre o MK1 e o MK2 estão nos sistemas de navegação e no controle de tiro integrado, além de aspectos de mobilidade e peso. Como o CAESAR MK2 incorpora uma nova cabine com blindagem adicional, o peso de combate sobe de 18 para 26,7 toneladas, fazendo com que o modelo deixe de ser compatível com o C-130 Hércules para transporte aéreo.

Demanda internacional e lições do emprego na Ucrânia

As qualidades atribuídas ao CAESAR o transformaram, nos últimos anos, em um sistema de artilharia com forte procura, com contratos firmados com Estônia, Lituânia, Bélgica, França, República Tcheca, Croácia, Portugal, Eslovênia e Armênia. A esse conjunto somam-se operadores de longa data, como Arábia Saudita, Marrocos, Tailândia, Indonésia e Ucrânia.

No caso ucraniano, as experiências de combate com o KNDS CAESAR destacaram a mobilidade, o alcance e o poder de fogo do VAR, além de pontos doutrinários que foram absorvidos pelo próprio Exército de Terra francês. O CAESAR MK2 incorpora parte de suas melhorias a partir dos retornos vindos dos campos de batalha na Ucrânia.

Cabe ressaltar que as Forças Armadas da Ucrânia estão entre os principais usuários do CAESAR nas versões 6×6 e 8×8, com cerca de 120 exemplares em serviço ao fim de 2025.

Imagem de capa ilustrativa. Créditos: Forças de Defesa da Estônia


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