Mais de 250 mil euros por um Mercedes-Benz com mais de 20 anos pode soar exagerado à primeira vista. Só que, quando se descobre qual é o modelo, muita coisa se explica rapidamente. Em um leilão na Bring-a-Trailer, foi exatamente esse o valor pago por um Mercedes-Benz CL 65 AMG V12 de 2005.
Desempenho do Mercedes-Benz CL 65 AMG V12 de 2005
Esse cupê alemão montado nas instalações da AMG vinha equipado com o impressionante V12 biturbo de 6,0 litros, capaz de entregar 612 cv e, na época, gigantescos 1000 Nm de torque. Em outras palavras: mesmo pesando mais de 2,15 toneladas, ele não deixava a desejar em ritmo.
A prova está nos números: o 0 aos 100 km/h era feito em apenas 4,4s, enquanto a velocidade máxima ficava limitada eletronicamente a 250 km/h. Do lado de cá do oceano, no mercado de usados, é difícil ver unidades passando de 100 mil euros - inclusive as de geração mais recente. Ainda assim, há um motivo (ou vários) para o preço atingido aqui.
Quilometragem e estado de conservação fora do comum
O primeiro ponto é a conservação. Mesmo com 21 anos, visualmente, o carro parece recém-saído da linha de montagem. E o hodômetro reforça essa sensação, indicando pouco mais de 5300 km rodados.
Michael Fux e o “outro lado” por trás do valor
Há também o “outro lado”, aquele que vai além do que as marcas entregam por si só. Este CL 65 AMG foi comprado zero quilômetro por Michael Fux, filantropo e reconhecido entusiasta de carros, dono de uma das coleções mais excêntricas do planeta.
Na sua “garagem”, há dezenas - ou até centenas - de automóveis, sempre com algum toque peculiar e original. E é raro encontrar um que não traga cores vibrantes ou configurações mais ousadas, evidenciando o quanto Fux se diverte nos configuradores das fabricantes.
V12: cada vez mais raro e único
O valor alcançado por este lote se explica, sobretudo, porque carros assim estão se tornando cada vez mais difíceis de encontrar - especialmente quando aparecem nesse nível de conservação.
Com apenas 5300 km, o Mercedes-Benz CL 65 AMG com motor V12 deste leilão estava em condição quase original. E isso fica ainda mais incomum quando se considera a complexidade técnica do conjunto e os altos custos de manutenção tradicionalmente ligados a esse modelo.
O exemplar em questão tinha carroceria na cor Alabaster White, combinada com interior em couro Java - uma opção «rara» diante dos tradicionais tons cinza e preto da Mercedes-Benz. Os vidros seguem sendo os originais, assim como as rodas AMG bipartidas de 19”, sem sinais de desgaste.
Na lista de equipamentos, chamam atenção os bancos dianteiros aquecidos, ventilados e com função de massagem, o sistema de som Bose, a navegação COMAND e a suspensão Active Body Control - itens que, em meados dos anos 2000, colocavam este cupê no topo da linha AMG.
Por fim, vale situar o modelo no seu contexto. Em 2005, o CL 65 AMG era o ápice tecnológico da Mercedes-AMG, reunindo luxo extremo com números de desempenho capazes de encarar superesportivos da época.
Hoje, com os V12 praticamente desaparecendo, carros desse tipo começam a ser vistos como um clássico desejável, vindo de uma fase da engenharia que, muito provavelmente, não voltará. Em um mundo em que os elétricos ocupam o centro do palco, quem não sente saudades disto?
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