As Forças Armadas de Gana confirmaram a compra de novos helicópteros da Airbus Helicopters, dentro de um contrato firmado com o Ministério da Defesa do país africano. A fabricante europeia informou, em 15 de janeiro de 2026, a partir de Marignane, na França, que o acordo prevê a aquisição de dois H175M, um ACH175 e um ACH160.
Contrato com a Airbus Helicopters e configuração da encomenda
Segundo os dados divulgados oficialmente, os H175M serão empregados como helicópteros multimissão, voltados a atividades de transporte, busca e salvamento, evacuação aeromédica, apoio em emergências e operações de assistência humanitária em desastres. Já os modelos ACH175 e ACH160 ficarão dedicados a missões de transporte.
Arnaud Montalvo, responsável pela região África e Oriente Médio na Airbus Helicopters, afirmou: “O compromisso de Gana marca o retorno da Airbus Helicopters ao país com um foco definido no suporte ao cliente e na parceria”. Ele também ressaltou: “Estamos particularmente entusiasmados com o fato de o H175M ser operado em Gana, demonstrando a versatilidade da aeronave em missões de defesa e segurança”. O executivo acrescentou que o contrato coloca Gana como um cliente relevante na África Ocidental para os helicópteros corporativos ACH160 e ACH175.
H175 e ACH160: perfis e aplicações das plataformas
Em operação desde 2014, o H175 integra a categoria super-medium e foi concebido para reunir autonomia, capacidade de carga e estabilidade em voo. A plataforma é aplicada em um amplo leque de missões civis e militares, incluindo operações em terra e no mar, busca e salvamento, serviços públicos, transporte de equipes, além de aviação privada e corporativa.
O ACH160, por sua vez, é o integrante mais recente da linha Airbus Corporate Helicopters. O modelo reúne 68 tecnologias patenteadas pela Airbus e entrega maior volume por passageiro do que gerações anteriores, além de uma cabine com maior entrada de luz natural - atributos voltados ao transporte executivo.
Modernização da Força Aérea de Gana e suas capacidades
A compra dos helicópteros da Airbus ocorre em meio ao processo de modernização da Força Aérea de Gana, que nos últimos anos tem sido limitado por dificuldades operacionais e logísticas. As sanções internacionais impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia impactaram o fornecimento de peças de reposição para aeronaves de origem soviética e russa, como os Mi-17/171 e os Mi-35 - estes últimos ainda aguardando entrega.
A esse quadro somou-se o acidente de 6 de agosto de 2025, quando um helicóptero militar Harbin Z-9 caiu durante um voo interno, resultando na morte de oito pessoas, incluindo altos funcionários do governo e tripulantes da Força Aérea. O episódio gerou apelos oficiais para revisar as condições do material aéreo e reforçar a segurança operacional.
A frota da Força Aérea de Gana é pequena em números e enfrenta restrições de emprego. O inventário total gira em torno de 39 aeronaves, embora apenas cerca de duas dúzias mantenham, de forma regular, condições de voo. A composição combina meios de asas rotativas e asas fixas, voltados sobretudo a missões de transporte, patrulha, instrução e apoio à segurança interna.
Entre os recursos de maior destaque estão seis helicópteros de transporte Mi-17/171, utilizados no deslocamento de tropas, no suporte logístico e em missões de assistência. Essas aeronaves possuem fuselagem de 13,5 metros, conseguem levar até 26 militares ou transportar carga externa de até 4.000 quilogramas e contam com rotor principal de cinco pás e rotor de cauda. A propulsão é fornecida por dois motores Klimov TV3-117VM, com 1.641 quilowatts de potência cada, permitindo velocidades máximas próximas de 250 quilômetros por hora. No serviço ganês, esses helicópteros vêm sendo empregados no patrulhamento de infraestruturas críticas, no apoio a operações de segurança e em evacuações médicas.
O componente de apoio aéreo aproximado deveria ser ampliado com a incorporação de quatro helicópteros de ataque Mi-35 Hind, previstos para missões de apoio armado, escolta e dissuasão. Entretanto, essas aeronaves ainda não foram entregues. O Mi-35 conta com canhão de 30 mm, mísseis antitanque e proteção blindada, configurações pensadas para ações de assalto e suporte direto às forças terrestres.
No segmento de asas fixas, Gana opera aeronaves de transporte CASA C295, empregadas em tarefas logísticas, transporte tático e vigilância marítima, especialmente no monitoramento de sua zona econômica exclusiva. Para a formação de pilotos militares, a Força Aérea utiliza treinadores a jato K-8, enquanto missões de reconhecimento e vigilância se apoiam em aeronaves leves Diamond DA42.
Nesse cenário, a chegada dos novos H175M, ACH175 e ACH160 busca ampliar a mobilidade aérea, a capacidade de resposta a emergências e o transporte, dentro de um processo de renovação gradual dos meios.
Imagens utilizadas a modo ilustrativo.
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