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Opel Astra híbrido plug-in: o que restou dos genes alemães?

Carro elétrico Opel Astra PHEV cinza conectado a estação de recarga em ambiente interno moderno.

Não é nenhum exagero afirmar que o Opel Astra está entre os modelos mais simbólicos da marca alemã. Afinal, somando o Kadett - seu antecessor -, falamos de 12 gerações, com uma história que começa lá em 1936(!).

Na geração mais recente - o Astra L -, o hatch compacto da Opel inaugura uma nova fase: é o primeiro Astra desenvolvido já fora do guarda-chuva da GM e sob a Stellantis. Na prática, isso significa que ele passa a usar a plataforma EMP2 e os mesmos conjuntos mecânicos vistos em modelos bem franceses, como Peugeot 308 e DS 4.

Diante desse cenário, o que ainda sobra dos "genes alemães" no Astra? Passamos uma semana com o Astra híbrido plug-in para tirar a dúvida.

Não há espaço para confusão

Basta olhar para o Astra para perceber que a equipe de design da Opel se esforçou - e conseguiu - afastá-lo visualmente dos “primos” franceses. Na minha avaliação, foram além: criaram um carro mais atraente, menos conservador e totalmente alinhado à nova linguagem visual da marca.

Por dentro, o Astra também exibe uma "personalidade própria", embora seja justamente no interior onde mais notei as tais "raízes francesas". Não é só a presença de comandos iguais aos dos parentes gauleses que entrega essa origem; a forma como eles operam também.

Já dirigi todas as gerações do Astra e, nelas, sempre existiu um certo tato e um peso nos comandos que eu não consigo reencontrar nesta geração.

Mesmo assim, a cabine do Astra preserva ensinamentos da “escola alemã”. A ergonomia é bem resolvida e, apesar da clara redução no número de botões, ele ainda fica alguns degraus acima do Peugeot 308 nesse aspecto.

A qualidade geral também não decepciona e segue a tradição dos antecessores. É verdade que, nesse ponto, tanto o 308 quanto o DS 4 levam alguma vantagem, principalmente pela sensação mais refinada dos materiais - mais caprichados nas propostas francesas -, mas o alemão continua merecendo elogios.

Por fim, as origens técnicas gaulesas do novo Opel Astra aparecem na habitabilidade. A plataforma EMP2 não é conhecida por oferecer o melhor espaço para quem vai atrás, e o Astra não foge à regra.

Quatro adultos viajam com conforto, mas rivais como o conterrâneo Volkswagen Golf entregam mais nesse capítulo. Já o porta-malas sente o impacto do posicionamento das baterias sob o assoalho: dos 422 l dos Astra apenas a combustão, cai para 352 l neste híbrido plug-in. É um número relativamente baixo no segmento, embora não comprometa de forma significativa o uso familiar.

"Pegada" germânica…

É ao dirigir o novo Astra que o trabalho da Opel para diferenciá-lo dos “primos” franceses fica mais claro. A calibração da suspensão não deixa margem para dúvida: o Astra se comporta como um… Opel.

O ajuste é mais firme, o que melhora o controle dos movimentos da carroceria e deixa as reações mais rápidas, tornando o Astra mais ágil - e até divertido - em estradas sinuosas.

Mas é em rodovia que esse "acerto germânico" honra melhor a tradição: o Astra se destaca pela alta estabilidade, o que o coloca como um dos candidatos mais fortes a disputar com o Golf o título de “rei da autobahn“.

E o melhor é que, ao contrário do que já foi comum em modelos da Opel, a influência francesa acabou somando em conforto. O novo Astra mostra ótima capacidade de filtrar as irregularidades do asfalto.

Completando esse “pacote dinâmico”, vale destacar a direção: ela é precisa, direta e passa a confiança necessária para encarar trechos mais travados.

…, mas motor francês

Se em design e dinâmica a Opel conseguiu imprimir ao novo Astra o caráter alemão pretendido, no conjunto mecânico havia pouco (ou nada) a fazer para distanciá-lo dos equivalentes franceses.

Pela primeira vez, o Astra adota uma motorização híbrida plug-in - e foi exatamente essa que colocamos à prova. Com 180 cv de potência máxima combinada, o Astra Hybrid se mostrou disposto, especialmente quando selecionamos o modo “Sport”, que deixa o acelerador mais sensível.

A entrega é boa desde baixas rotações e, mesmo com a bateria descarregada, o Astra Hybrid não decepciona em desempenho.

E o consumo também ficou em bom nível. Sem considerar os números irrisórios possíveis com a bateria cheia (médias de 1,5 l/100 km saem com facilidade, mesmo em rodovia), quando zerei a carga, o motor turbo 1,6 l de 150 cv marcou entre 6,2 l/100 km em rodovia e 6,7-7,0 l/100 km na cidade.

É o carro certo para você?

Mais do que um ícone da Opel, o Astra sempre foi um dos “pesos-pesados” do segmento C e, nesta geração, reúne argumentos para brigar pela liderança.

A missão da Opel de preservar o "DNA alemão" do Astra não seria simples num mercado cada vez mais baseado em compartilhamentos e sinergias, mas, no geral, o objetivo foi atingido.

Sim, há detalhes em que o Astra soa mais francês do que germânico, porém ninguém vai confundir o Opel Astra com os seus “primos” gauleses.

Quanto ao híbrido plug-in, ele segue sendo uma alternativa mais indicada para empresas do que para pessoas físicas, por conta dos benefícios fiscais - o que ajuda a reduzir um dos "calcanhares de Aquiles" deste Astra e dos híbridos plug-in em geral: o preço.

É isso que "fecha a porta" para muitos compradores particulares diante de uma proposta que poderia oferecer, para muita gente, o "melhor de dois mundos": consumo muito baixo no dia a dia usando a parte elétrica do trem de força, sem preocupação com autonomia nas viagens em família neste… familiar.


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