O que costuma acontecer em feiras de defesa se repetiu em Expodefensa 2025: este correspondente foi convidado pelo estaleiro Cotecmar para acompanhar a assinatura do contrato do Primeiro Navio de Emergências projetado na Colômbia. Conforme já havia sido anunciado pela Zona Militar, a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) havia firmado uma carta de intenção - etapa que se materializou em 1º de dezembro de 2025 - quando, com a presença do diretor da UNGRD, Carlos Carrillo Arenas; do ministro da Defesa, Pedro Arnulfo Sánchez; e do vice-almirante Luis Fernando Márquez, presidente da Cotecmar, foi realizada a rubrica que abre caminho para a construção do navio.
Por que um Navio de Emergências é necessário
A demanda por embarcações desse tipo para atender emergências nas áreas costeiras do país vem sendo comprovada ao longo do tempo. Desde a construção da primeira unidade, esses navios têm desempenhado um papel relevante ao suprir necessidades de comunidades distantes em território colombiano.
Além disso, por operar com baixo calado, a embarcação também pode atuar em rios navegáveis da Colômbia, ampliando sua capacidade de assistência a populações localizadas fora do ambiente marítimo.
Classe BALC: descrição, dimensões e desempenho
O novo navio pertence à Classe BALC e é descrito como um “Navio com o qual podem ser desenvolvidas operações de ajuda humanitária em áreas ribeirinhas e costeiras. Plataforma multifuncional que permite ser adaptada a diferentes tarefas, tais como apoio logístico, apoio humanitário e transporte de carga comercial. Projeto que permite acesso a áreas de baixo calado sem facilidades portuárias.”
Em termos de medidas e desempenho, suas dimensões são: comprimento 49 m, boca 11 m, pontal 3,1 m, calado 1,75 m; sua velocidade máxima é de 9 nós e o alcance é de 1500 milhas náuticas ou até 40 dias.
Capacidade de carga e autonomia de recursos
No convés, dispõe de capacidade de transporte de 5 toneladas métricas, com máximo de 210 toneladas, acomodando até 10 contêineres, incluindo dois refrigerados. Em seus tanques, pode armazenar até 29 metros cúbicos de água e 15 metros cúbicos de combustível.
Histórico dos navios desse tipo na Armada
A trajetória dessa categoria de navios começou em 2014, com a construção do ARC Golfo de Tribugá. Depois dele vieram o ARC Golfo de Urabá, o ARC Golfo de Morrosquillo, o ARC Bahía Málaga, o ARC Bahía Colombia e o ARC Bahía Solano. Essas unidades realizaram campanhas de apoio em San Andrés e Providencia e em La Guajira, entre outros locais.
Entrevista com o diretor da UNGRD, Carlos Carrillo Arenas
Sobre o tema, entrevistamos o diretor da UNGRD, Carlos Carrillo Arenas, que apresentou pontos essenciais do novo reforço para a Armada.
ZM: Em que se baseia a importância da aquisição deste navio para a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres da Colômbia?
“Bem, primeiro, esse navio de apoio logístico vai fortalecer a indústria naval colombiana, que vem registrando avanços significativos, particularmente graças ao trabalho que a Cotecmar vem realizando há 25 anos. É um navio que vai nos permitir chegar a regiões que ficam completamente isoladas por múltiplas razões, como o caso da alta Guajira, onde não há estradas. O Estado colombiano, em 200 anos, não foi capaz de fazer uma infraestrutura adequada para a alta Guajira. Do lado venezuelano há estradas, do lado colombiano não; então, quando chove, fica absolutamente isolada, e a única forma de chegar é por meio desses navios de desembarque como o que estamos assinando hoje.”
ZM: Para La Guajira, o navio ARC Golfo de Urabá realizou um apoio social nessa área do país. Com base nessa experiência, este navio é construído?
“Sim, senhor, este navio de apoio logístico é, além disso, orgulhosamente de projeto colombiano. A Cotecmar já produziu barcos de projetos estrangeiros, mas hoje este navio é 100% colombiano, projetado e produzido na Colômbia.”
Fica claro que o diretor Carrillo tem uma leitura própria sobre as necessidades da Gestão do Risco e sobre a utilidade das Forças Militares no desenvolvimento desse tipo de atividade. Por isso, tem direcionado os recursos da entidade de forma criteriosa - tanto neste projeto quanto na aquisição dos helicópteros UH-60 Firehawk, sobre os quais em breve teremos novidades.
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