Um ex-prefeito de um município do Jura teria levado cerca de 20 horas para chegar ao ponto onde um radar registrou o veículo ligado ao seu nome - ainda mais porque o seu trator, limitado a 20 km/h, foi apontado como o “campeão” do suposto excesso de velocidade. Então, o que aconteceu de fato?
Um flagrante perto do Louvre que desafia a lógica
Há episódios tão improváveis que parecem não encaixar em nenhuma explicação racional. Em plena Paris, perto do museu do Louvre, Bernard Tissot - ex-prefeito de Saint-Jean-d’Étreux - teria sido “flagrado” por um radar por excesso de velocidade. A infração, datada de 20 de novembro, resultou em uma multa de 135 euros, que chegou normalmente à sua caixa de correio no interior.
Para o ex-eleito, porém, esse desvio parisiense não faz sentido: ele não reconhece a infração e, por isso, também não pode aceitá-la nem pagá-la. O motivo seria um erro - e um erro especialmente surpreendente.
Placa do trator International Harvester 533 na autuação
O número de placa indicado na notificação não é estranho para Bernard Tissot. Pelo contrário: é a placa de seu trator, de 1977, um International Harvester 533. Trata-se de um veículo que não passa de 20 km/h - a não ser com a ajuda de uma boa descida nas montanhas do Jura, relevo que obviamente não existe nos arredores do museu parisiense.
Pelas contas, para percorrer os 400 km até o local onde o radar registrou o excesso de velocidade em 20 de novembro, Bernard Tissot precisaria dirigir por mais de 20 horas com o trator. Já aposentado, ele garante estar plenamente certo de que não tentou uma viagem desse tipo nem uma “façanha” dessas apenas para virar notícia. No lugar disso, a intenção é formalizar uma denúncia para contestar a infração e expor a possibilidade de uma placa duplicada - ou mesmo de uma placa clonada.
Por que o proprietário do trator precisa obrigatoriamente registrar boletim de ocorrência
Afinal, em Paris, em 20 de novembro, o carro fotografado pelo radar pode muito bem estar circulando com uma placa falsa - a menos que tudo seja fruto de um erro puramente administrativo. Em qualquer cenário, o ex-prefeito é obrigado a seguir esse caminho formal, que ainda deve incluir a troca da placa de identificação e, consequentemente, a alteração do documento do veículo.
Para quem realmente cometeu o excesso de velocidade, a multa de 135 euros tende a vir acompanhada de uma penalidade mais pesada. As autoridades tratam esse tipo de delito com rigor: há várias penas principais possíveis, incluindo até 7 anos de prisão, multa de 30 000 euros e a perda de 6 pontos na carteira de habilitação.
Em caso de reincidência, outras sanções podem ser somadas, como a suspensão da habilitação por até 3 anos, o cancelamento total do direito de dirigir (com proibição de refazer o processo por até 3 anos) e a apreensão do veículo.
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