1.156 cv em um SUV parecem não ter lógica - e é exatamente por isso que eles fazem todo o sentido no novo Porsche Cayenne elétrico.
Depois de um primeiro contato mais técnico e de algumas voltas como passageiro, enfim chegou a hora de assumir o volante do SUV mais forte que a marca de Estugarda já colocou na rua. E não foi só na configuração Turbo: também deu para entender como anda a versão de entrada.
Este carro tem um peso enorme para a Porsche. Ele avança mais um passo na eletrificação da marca - um plano que não tem evoluído como se imaginava - e, ao mesmo tempo, fala do seu modelo de maior volume. Para minimizar riscos (como já aconteceu com o Macan), o Cayenne Electric vai dividir espaço com o Cayenne a combustão ao longo da próxima década. É uma escolha estratégica que reflete bem o momento da indústria e o cuidado da Porsche em não afastar sua base de clientes.
Mas a pergunta central permanece: este Cayenne elétrico consegue ser, de verdade, um Porsche? A resposta está no vídeo abaixo:
Controlar o ar
Por fora, o Cayenne elétrico deixa claro qual é a proposta. Na parte superior da dianteira, o desenho é fechado - não existe motor a combustão para resfriar -, mas o carro ainda depende de fluxo de ar.
Esse ar entra por tomadas inferiores com aerodinâmica ativa, que mudam automaticamente conforme a necessidade de refrigeração. Dois ventiladores grandes cuidam do resfriamento do sistema (incluindo a bateria) sem sacrificar eficiência.
Na prática, isso entrega uma frente limpa, com ar mais tecnológico e, eu diria, convincente logo de cara. E ainda melhora a aerodinâmica, algo decisivo para alcançar mais autonomia em qualquer elétrico. No Cayenne Electric Turbo que eu dirigi, há também soluções dedicadas, como lâminas retráteis nas extremidades do para-choque traseiro, feitas para diminuir o arrasto.
O Porsche mais digital de todos?
Por dentro, o Cayenne elétrico sobe o nível de digitalização - e não apenas dentro da linha Porsche. É a maior área de telas já vista em um modelo da marca. O quadro de instrumentos é curvo e 100% digital, enquanto a central multimídia adota um arranjo vertical pouco comum, mas que se mostrou surpreendentemente fácil de usar.
Há ainda uma tela exclusiva para o passageiro, algo cada vez mais frequente no segmento, mas que continua trazendo a mesma dúvida: isso é realmente necessário?
O lado bom é que a Porsche não abandonou o que importa. Funções essenciais, como ar-condicionado e volume, seguem com comandos físicos. E são ótimos: têm peso, bom toque e passam qualidade. Os materiais correspondem ao esperado - couro (animal ou não), encaixes bem feitos e uma percepção geral de acabamento que segue como referência.
Espaço, conforto e detalhes que fazem diferença
Vale destacar alguns cuidados, como os apoios de braço aquecidos - não só na frente, mas também nas portas traseiras. E espaço é o que não falta.
No banco de trás, sobra área para pernas e cabeça, mesmo para adultos. O assento traseiro central é menos agradável, como seria de esperar, mas isso está longe de ser um problema exclusivo deste modelo.
Conforto que eu não esperava
Ao dirigir, como dá para ver no vídeo acima, o primeiro choque é o conforto. Mesmo na versão Turbo, com 1.156 cv e 1.500 Nm, este Cayenne elétrico filtra irregularidades com uma competência impressionante. Não é o comportamento que normalmente associamos a um SUV com esse nível de desempenho.
Mas é só colocar no modo Sport Plus para tudo mudar. A suspensão ativa Porsche Active Ride altera por completo a personalidade do SUV. Ela mantém a carroceria estável em acelerações, frenagens e curvas, reduzindo oscilações e aumentando a confiança.
Aí entra o impacto dos 1.156 cv. Os números chamam atenção, mas o que importa é como a potência aparece. Tração, estabilidade e a capacidade de transferir força ao asfalto fazem este Cayenne parecer mais um supercarro do que um SUV convencional. O que surpreende ainda mais em algo tão grande e pesado: são 2.720 kg em ordem de marcha.
E, sim, por ser um SUV, ele também encara terra. Com o pacote off-road, ganha mais altura livre do solo, ângulos melhores e recursos próprios, como assistente de descida. Não é (nem quer ser) um 4x4 puro-sangue, mas é mais competente do que a maioria dos clientes algum dia vai explorar.
Curiosamente, a versão de entrada acabou sendo uma das mais interessantes. Com “apenas” 446 cv, ela faz 0 a 100 km/h em 4,8 s, o que sobra para o uso diário. Pode estar aí a alternativa mais equilibrada da gama.
Mais de 600 km em qualquer versão
Independentemente da configuração do Porsche Cayenne elétrico, a autonomia declarada fica sempre acima de 600 km. Vai de 623 km no Turbo a 653 km no Cayenne S. A bateria é a mesma nas três versões, com 113 kWh brutos. E a promessa inclui recargas rápidas de até 390 kW em corrente contínua (DC), graças à arquitetura de 800 V - para mais detalhes técnicos, siga este link.
Quanto custa entrar no Cayenne elétrico?
O novo Porsche Cayenne elétrico já pode ser comprado em Portugal, com preços começando um pouco acima de 110 mil euros. Ou seja, custa menos que o Cayenne a combustão mais barato, que parte de 123 mil euros.
O Cayenne S vai para cerca de 132.000 euros, enquanto o Turbo começa praticamente nos 172.000 euros. Como é padrão na Porsche, esses números são só o início: basta abrir o configurador para perceber que há muitas formas de elevar (e muito) a conta.
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