Pela primeira vez desde que o conflito no Irã começou no início do mês, a expectativa é de queda no preço dos combustíveis. Ainda assim, diferentemente das altas muito fortes das últimas semanas, o recuo previsto deve ser discreto.
Previsão de preços dos combustíveis para 30 de março
As projeções do setor para a semana (30 de março) indicam que o diesel (gasóleo simples) pode ficar até 1 centavo por litro mais barato, enquanto a redução na gasolina deve ser maior, em 2,5 centavos por litro. Vale lembrar que, desde o começo do conflito, os preços avançaram 41 centavos por litro no diesel e quase 22 centavos no caso da gasolina.
Se essas previsões se confirmarem, o valor médio do diesel (gasóleo simples) pode cair para 2,055 €/l, ainda acima do patamar de dois euros. Já a gasolina simples deve recuar para 1,904 €/l, mantendo o cenário incomum em que o diesel segue como o combustível mais caro nos postos em Portugal.
Como se chega ao preço médio divulgado
O cálculo do preço dos combustíveis parte dos números publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, os referentes à última quinta-feira, 26 de março. Os valores divulgados pela DGEG já consideram os descontos oferecidos pelas distribuidoras, além das medidas do Governo atualmente em vigor.
Mesmo assim, é importante destacar que esses não são necessariamente os preços que você verá no posto. Eles servem como médias de referência e têm caráter indicativo. Os revendedores continuam livres para definir os valores conforme a própria estratégia.
As medidas do governo em vigor
Depois das altas históricas nos combustíveis, o Governo ampliou o desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos).
O começo desta semana trouxe um desconto total de 9,4 centavos por litro no diesel (gasóleo simples) e de 5,1 centavos por litro na gasolina simples. Considerando a queda prevista no preço dos combustíveis, não é esperado um novo reforço desse desconto na próxima semana.
A redução extraordinária atual do ISP se soma à que já existe desde 2022, criada para reduzir o impacto do aumento dos combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Esse mecanismo diminuiu parcialmente o imposto cobrado sobre gasolina e diesel e vem sendo ajustado gradualmente, acompanhando a evolução dos preços. O objetivo final, também por pressão de Bruxelas, é acabar com o «desconto».
Tensão no Oriente Médio e o impacto no petróleo
A alta dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente associada ao agravamento das tensões no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz - uma das rotas mais importantes para o escoamento do petróleo do Golfo Pérsico.
Apesar da queda no preço dos combustíveis, o conflito continua influenciando os mercados: o Brent, referência na Europa, na data de publicação deste artigo, estava em 104 dólares. Antes do conflito, era negociado a 72 dólares.
No começo da semana, o barril chegou a ficar abaixo de 100 dólares, mas nos últimos dias voltou a superar esse nível.
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