O McMurtry Spéirling não é novidade quando o assunto é «sede» por recordes. Depois de, no Festival de Velocidade de Goodwood, em junho de 2022, ter derrubado a marca da subida de Goodwood ao superar o Volkswagen ID.R com 39,04s, o hipercarro elétrico voltou a provar do que é capaz - agora no clássico quarto de milha (402 m).
Recorde do quarto de milha (402 m) e 0–60 mph
O recorde do quarto de milha, que pertencia ao poderoso Rimac Nevera com 8,58s, foi «estilhaçado» pelo McMurtry Spéirling. Após várias tentativas e já com o piso seco, o modelo conseguiu algo que parecia fora do alcance: baixou da barreira dos oito segundos e cravou 7,97s.
Há um detalhe ainda mais curioso: é o mesmo carro que conquistou a marca na rampa de Goodwood e, mesmo assim, ele está limitado a 150 mph de velocidade máxima (241 km/h). Ou seja… ainda existe margem para melhorar esse número.
E o Spéirling não parou por aí. Esse «mini-batmobile» diabólico também fez 0 às 60 mph (96 km/h) em inacreditáveis 1,4s - enquanto o Nevera divulga 1,85s para o mesmo exercício. Tudo isso em um veículo homologado para rodar em via pública.
O McMurtry Spéirling em ação
Ao volante do McMurtry Spéirling estava Mat Watson, «em choque», do canal do YouTube Carwow. No vídeo, ele apresenta esses recordes e também explora a máquina ao lado de Kevin Ukoko-Rongione, engenheiro-chefe, e Max Chilton, piloto de testes.
Potência, peso e dimensões do McMurtry Spéirling
No papel, o Nevera tem quase o dobro da potência do Spéirling: são 1407 kW ou 1914 cv extraídos de quatro motores elétricos (um por roda), contra 746 kW ou 1014 cv do McMurtry, que usa dois motores montados atrás - ou seja, com tração apenas no eixo traseiro.
Ainda assim, o que muda o jogo é a massa. O fabricante declara cerca de 1000 kg - um número excepcional para um elétrico -, bem menos da metade dos 2150 kg do hipercarro croata. Com isso, a relação peso/potência fica abaixo de 1 kg/cv, melhor que a do Nevera e superior à de qualquer outro carro de rua já produzido, incluindo o Koenigsegg One:1.
Para chegar a esse resultado, ajuda o fato de ser um monoposto em fibra de carbono e também extremamente compacto: com menos de 3,5 m de comprimento, ele é mais curto do que um Fiat 500, e tem menos de 1,7 m de largura. São dimensões próximas às de um Fórmula 1 das décadas de 50–60.
Ventoinha, força descendente e curvas a mais de 3 g
A aceleração surreal do Spéirling é reforçada por uma ventoinha traseira, inspirada no Fórmula 1 Brabham BT46B “carro-ventoinha”, que gira até 2300 rpm e consegue gerar 2000 kg de força aerodinâmica descendente desde os 0 km/h.
A 240 km/h, esse valor aumenta para 2250 kg - o que, em teoria, permitiria que «pilotássemos» o Spéirling de cabeça para baixo.
Por conta dessa capacidade de produzir força descendente pela ventoinha, o McMurtry Spéirling consegue contornar curvas em velocidades muito altas, atingindo acelerações laterais acima de 3 g.
Bateria, autonomia e uso em pista
Mesmo com o porte diminuto, ele leva uma bateria de 60 kWh que, em condução normal, promete mais de 480 km de autonomia (WLTP).
Já em circuito, com todos os sistemas ajustados para o máximo desempenho - modo de qualificação -, a bateria pode durar pouco mais de uma volta; só que essa volta tende a ser tão rápida quanto, ou até mais rápida do que, a de um Fórmula 1. Reduzindo um pouco a exigência e andando no ritmo de um GT4 de competição, dá para fazer uma sessão de 20 minutos na pista.
Homologação para rua e preço
Por mais improvável que pareça, o McMurtry Spéirling é homologado para rodar em estrada e custa como um verdadeiro hipercarro: dois milhões de libras, cerca de 2,292 milhões de euros.
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