O Porsche Taycan GTS passa a ser o primeiro Taycan a romper a barreira dos 500 quilômetros de autonomia e, ao menos na teoria, assume o papel de configuração mais esportiva da linha.
Ele fica estrategicamente colocado entre o Taycan 4S e os Taycan Turbo: não é o mais potente nem o mais rápido que você pode comprar. Ainda assim, a proposta é clara: ser o Taycan mais gostoso de dirigir.
Durante a apresentação do Porsche 99X Electric Gen3, em Franciacorta (Itália), tivemos a chance de dirigir o Taycan GTS em primeira mão. E o resultado foi uma surpresa positiva diante do que este elétrico entrega.
O primeiro GTS elétrico
A sigla GTS - de Gran Turismo Sport - apareceu pela primeira vez em 1963, no Porsche 904 Carrera GTS. Agora, ela marca presença em todas as gamas da fabricante de Stuttgart, incluindo o Taycan elétrico.
Por fora, como acontece com os outros GTS da Porsche, chamam atenção os vários detalhes escurecidos no para-choque dianteiro, nos retrovisores, nas rodas e nos frisos das janelas.
Por dentro, o destaque vai para os revestimentos em Race-Tex (um material semelhante ao Alcantara) em preto, que contrastam muito bem com os detalhes em alumínio escovado, com acabamento anodizado também em preto.
“Prova dos nove” na estrada
Mesmo trazendo elementos visuais próprios, o Taycan GTS - disponível para encomenda como sedã ou como Sport Turismo, a perua - se diferencia do restante da família principalmente pelo que entrega no uso real.
Ele é o primeiro Taycan de sempre a superar os 500 quilômetros de autonomia (mais exatamente 504 km). Esse resultado vem do pacote “Performance Battery Plus”, com 93,4 kWh de capacidade bruta (83,7 kWh úteis).
Para completar, recorre a dois motores elétricos (os mesmos do Taycan Turbo), um em cada eixo, que geram 440 kW (598 cv) em overboost - que dura cerca de 2,5s - com Launch Control. Já a potência “normal” fica em 380 kW (517 cv).
Não chega à força do Porsche Taycan Turbo, que anuncia 460 kW (625 cv). Mesmo assim, resolve o sprint de 0 a 100 km/h em 3,7s, enquanto a velocidade máxima é limitada a 250 km/h.
E não para aí. As versões GTS do Taycan contam com suspensão pneumática com calibração específica para um comportamento dinâmico mais apurado e trazem ainda eixo traseiro direcional, com um acerto mais esportivo.
Contato breve, mas esclarecedor
Basta ganhar a estrada para perceber, em poucos quilômetros, como o Taycan GTS tem um cartão de visitas robusto e impressionante.
Pude dirigi-lo por cerca de duas dezenas de quilômetros em rodovia, onde se destacou por conforto, solidez e estabilidade. Mas foi ao levá-lo para estradas secundárias, em uma região mais montanhosa, que ficou claro que este Taycan é diferente.
Nas curvas, o Taycan GTS muda o jogo
E a explicação está nas curvas. Qualquer Taycan que você dirija, seja qual for a versão, impressiona em linha reta. Se você afundar o acelerador, o corpo vai junto contra o banco - o famoso soco no estômago. Só que, em trecho sinuoso, este GTS se separa do resto.
O tato da direção é fantástico, a carroceria se move sob controle exemplar e a precisão do eixo dianteiro chama atenção. Os 2370 kg aparecem, mas a agilidade e a exatidão acabam mascarando muito bem esse peso.
Mais importante ainda - e por ser algo que não é comum de sentir em um carro elétrico - o pedal do freio oferece uma resistência muito natural, permitindo modular a desaceleração com grande precisão.
O carro segue sempre muito bem assentado no asfalto, a posição ao volante não merece qualquer crítica (apesar de ser um elétrico e ter o assoalho cheio de baterias, a gente vai sentado bem baixo) e a visibilidade para a frente convence.
Tudo acontece de um jeito progressivo e orgânico. A dianteira aponta com muita competência na entrada de curva, a traseira gira de forma sempre previsível e, acima de tudo, há sempre uma “tonelada” de torque pronta para catapultar o carro na saída. A sensação é a de um legítimo tração traseira, mesmo sabendo que há dois eixos motrizes.
Apesar de o comportamento do GTS impressionar, ele também se destaca por ser fácil e prazeroso no uso. Tudo opera como deveria, tudo soa natural. Bem…, tudo com exceção do ruído sintetizado - que a Porsche chama de Electric Sport Sound - que toma conta do habitáculo. Sinceramente, era um recurso totalmente dispensável.
Fora isso, há muito pouco a criticar no Taycan GTS, que se dirige e se sente como um Porsche de verdade.
O Taycan a comprar?
Essa pergunta é sempre difícil, porque não existe resposta certa nem errada: existem necessidades diferentes. Ainda assim, eu realmente acredito que este é o Taycan mais equilibrado da gama, aquele que melhor concilia autonomia, desempenho e comportamento dinâmico.
E é exatamente por esse motivo que este seria o Taycan que eu levaria para casa. É um daqueles casos em que dá para dizer, sem rodeios, que “no meio é que está a virtude”. Ele não é o Taycan mais caro, nem o mais rápido, nem o mais potente - mas, para mim, é o melhor.
É também um elétrico que derruba por completo a teoria - com muitos adeptos… - de que elétricos não são divertidos. O Taycan GTS é realmente prazeroso de guiar. Aliás, vou reformular: o Porsche Taycan GTS é o elétrico mais divertido que já dirigi.
E faz isso enquanto se firma, do mesmo jeito, como um excelente carro para estrada e como um familiar competente o bastante. Os 407 litros do porta-malas traseiro (mais 84 litros disponíveis sob o capô dianteiro) dão conta do uso diário, e o banco de trás tem espaço suficiente para acomodar, com conforto, dois adultos. E nem mesmo o consumo chega a assustar.
É verdade que, quando o ritmo sobe e exploramos o potencial dinâmico deste modelo, é fácil ver consumos na faixa de 24-25 kWh a cada 100 km. Mas, em uso misto - alternando condução esportiva com um andamento mais tranquilo - dá para baixar até 20 kWh. Na cidade, naturalmente, é possível fazer ainda menos.
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