A Lotus já colecionou várias tentativas de “renascer”, mas desta vez - com o suporte da Geely - quase ninguém duvida de que o futuro realmente vai se concretizar. O Lotus Eletre é, na prática, a evidência mais clara da transformação em andamento na marca de Hethel.
Há poucos anos, quem imaginaria um Lotus 100% elétrico, com porta-malas de 600 L, capacidade para levar até cinco ocupantes e uma bateria que pesa tanto quanto - ou até mais do que - um Lotus Seven original?
O Eletre tornou tudo isso possível e, ainda que Colin Chapman - fundador da lendária marca inglesa - dificilmente aprovaria essa direção, o novo SUV representa apenas a “ponta do iceberg” do que está por vir na Lotus.
Eletrificar é a ordem
Desde 2017, com 51% das ações da Lotus, a Geely pretende redesenhar completamente o caminho da marca britânica.
A estratégia passa por eletrificar toda a linha. O primeiro passo foi o exclusivo Evija e, depois dele, chegarão quatro modelos nos próximos cinco anos: o Eletre, mais um SUV, um sedã e um esportivo desenvolvido em parceria com a Alpine.
Se os sucessivos planos de relançamento da Lotus Cars acabaram falhando um após o outro, agora a percepção é diferente: o investimento e a determinação da Geely devem, de fato, resultar em uma nova Lotus.
Já a discussão sobre manter intactos os valores da marca é bem mais aberta. Ainda assim, a liderança do projeto afirma que a herança será respeitada.
Matt Windle, diretor-geral da Lotus desde o começo de 2021, garante que os próximos modelos “serão os melhores de dirigir e os mais leves em seus segmentos”.
A reorganização da Lotus Cars também criou uma estrutura realmente global - algo resumido no lema adotado para o desenvolvimento do Eletre: “Nascido Inglês, Criado Globalmente”.
Isso se explica porque o Eletre nasceu de um esforço conjunto entre as equipes da Lotus no Reino Unido - em Hethel e Coventry (Tecnologia Lotus) -, na Alemanha (Centro de Inovação de Tecnologia Lotus, em Frankfurt) e na China, onde ficaram as equipes de engenharia e produção.
Os números do Eletre
O Eletre terá três versões e, em todas, há dois motores (um em cada eixo): a configuração de entrada e a S entregam 612 cv e 710 Nm, com autonomia prometida de 600 km; já a R chega a 918 cv, 985 Nm e autonomia de 490 km.
O desempenho também chama atenção. Nas versões menos potentes, o 0 a 100 km/h é feito em 4,5 s e a velocidade máxima é de 258 km/h. No topo de linha, os números sobem para 265 km/h e 2,95 s no 0 a 100 km/h.
Com arquitetura elétrica de 800 V, o Eletre usa uma bateria de 112 kWh.
Na recarga, o conjunto aceita potência máxima em corrente contínua (CC) de 350 kW, o que permite ir de 10 a 80% em apenas 20 minutos. Em corrente alternada (CA), a potência máxima é de 22 kW.
Com suspensão independente nas quatro rodas e sistema multibraços no eixo traseiro, o Lotus Eletre buscou manter viva a reputação dinâmica típica da marca britânica.
Gavan Kershaw, Diretor de Integridade e Atributos do Produto, afirma que “o Eletre foi desenvolvido para oferecer tudo o que se espera de um Lotus em termos dinâmicos, principalmente no que diz respeito a uma direção muito comunicativa, rolagem controlada e capacidade de envolver o condutor em sua missão principal”.
Um modelo, três versões
Como já mencionado, o novo SUV elétrico da Lotus será oferecido em três versões: Eletre, Eletre S e Eletre R.
Entre os itens compartilhados, por exemplo, estão câmeras digitais no lugar dos retrovisores. Cada módulo reúne três câmeras: uma para visão traseira, outra para criar uma visão superior de 360° e uma terceira integrada às funções de condução autônoma, trabalhando em conjunto com um sensor LiDAR.
O Eletre S, versão intermediária, soma ao modelo de entrada um spoiler traseiro ativo, ajustes de iluminação ambiente interna, sistema de fechamento suave das portas, vidros escurecidos e um sistema de som com 23 alto-falantes e 2160 watts.
Já o Eletre R, no topo, traz eixo traseiro direcional, chassi com calibração mais firme, menor distância do solo, capô esportivo, pacote de fibra de carbono e grade dianteira ativa.
Além disso, ele adiciona um modo de condução extra, o modo Pista, que se junta aos modos Autonomia, Passeio, Esporte e Fora de estrada (presentes nas outras versões do Eletre).
Revolução também no interior
Se as proporções e o desenho externo mudam por completo o que conhecemos ao longo de quase 75 anos de história da Lotus, a cabine segue exatamente a mesma proposta.
O Eletre pode ter cinco lugares ou quatro assentos individuais tipo concha, com encostos de cabeça fixos e integrados ao próprio banco.
Na dianteira, há três telas para os ocupantes: a central, de 15,1”, concentra todas as funções de infoentretenimento; além dela, existem a tela do painel de instrumentos à frente do motorista e outra voltada ao passageiro (essas duas com 3 cm de altura).
Na prática, dá até para considerar um quarto “painel”: a projeção no para-brisa, com recursos de realidade aumentada.
Uma faixa luminosa atravessa todo o painel. Além de decorar, ela também informa, avisando quando a carga da bateria está baixa, quando há mudança de temperatura no sistema de ar-condicionado ou quando uma chamada telefônica está chegando.
Na configuração com dois assentos traseiros, quem vai atrás conta com uma tela de 9” fixada ao centro e uma base de carregamento sem fio para celular.
Todos esses recursos de comunicação e informação são comandados pelo sistema operacional Hyper OS, que a Lotus estreia no Eletre.
Quanto custa e quando chega?
Com o início da produção previsto para o fim do ano, a Lotus divulgou os preços do Eletre em oito mercados europeus, os primeiros a receber o SUV na primeira metade de 2023.
Uma segunda onda de países europeus deve receber o primeiro SUV da história da Lotus em 2024, junto com os Estados Unidos e regiões do Oriente Médio e da Ásia-Pacífico.
Na Alemanha - um dos primeiros mercados com disponibilidade - a versão de entrada começa em 96 mil euros; o Eletre S sai por 121 mil euros; e o Eletre R parte de 151 mil euros.
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