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Carlos Tavares, da Stellantis, critica a Euro 7 e alerta para 2035

Homem em terno fala em sala com janela ampla para estrada e três miniaturas de carros sobre mesa.

Carlos Tavares, o executivo português à frente da Stellantis, marcou presença no Salão de Paris para apresentar algumas das principais apostas das marcas do grupo - entre elas, o Jeep Avenger e o Peugeot 408 -, mas também aproveitou para falar sem rodeios sobre temas sensíveis do setor, como a futura norma de emissões Euro 7 e a proibição, na União Europeia, da venda de carros novos com motores a combustão a partir de 2035.

Carlos Tavares (Stellantis) diz que a Euro 7 tira foco da eletrificação

Ao comentar a Euro 7, Tavares foi taxativo: “Do ponto de vista da indústria, não precisamos da Euro 7, porque vai retirar recursos que deveríamos estar a gastar na eletrificação.”

Na visão do CEO, o custo de mais uma etapa de desenvolvimento para motores a combustão não se justifica: “gastar dinheiro a desenvolver mais um passo para a combustão interna para executar em 2028… não faz sentido. Porquê usar recursos escassos para algo que não vai durar muito tempo? A indústria não precisa disso e é contraproducente”.

Atrasos na Euro 7 empurram a entrada em vigor para 2027 ou 2028

As declarações ganham ainda mais peso depois de, na semana passada, a Comissão Europeia ter novamente adiado a apresentação do que será, na prática, a Euro 7.

Esses adiamentos têm sido recorrentes: a norma deveria ter sido divulgada originalmente no último trimestre de 2021 e, desde então, já foi postergada três vezes. Com isso, o calendário inicial - que apontava para 2025 como ano de introdução - acaba, na prática, empurrado para 2027 ou 2028.

Como a maior parte das montadoras já comunicou a intenção de se tornar totalmente elétrica a partir de 2030 - e algumas até antes, como a Alfa Romeo ou a Opel, ambas dentro da Stellantis -, um motor a combustão ajustado à Euro 7 teria uma vida útil excepcionalmente curta até 2035. Para Tavares, esse cenário não compensa o investimento elevado.

Sobre o motivo dos atrasos, o executivo alertou: “(A Euro 7) já foi adiada muitas vezes pois estamos a chegar aos limites (do que é possível fazer para limpar os gases de escape). Atingem os limites físicos. Não devem tentar ultrapassá-los. Não ousariam fazê-lo neste mundo, pois arriscariam a não ficar em conformidade. É preciso estar em conformidade em todo o lado e isso leva-nos para lá da física.”

Ele finalizou: “Quando vão para além da física, temos de descartá-la. É contraproducente. Não faz sentido e por isso é que está a ser adiado. Estamos prontos para a mobilidade elétrica”.

Proibir veículos a combustão terá consequências sociais graves

Tavares não limitou sua crítica à Euro 7: para ele, a ideia de “descartar” a norma se conecta diretamente à decisão do Parlamento Europeu de impedir a venda de automóveis novos com motor a combustão a partir de 2035.

Na avaliação do CEO da Stellantis, trata-se de uma definição que deveria ser revista e renegociada. Ele defende que modelos híbridos tenham um espaço maior durante a transição para veículos de zero emissões. Já a União Europeia propõe, por outro lado, que os híbridos plug-in continuem sendo considerados veículos de baixas emissões apenas até 2030.

O principal alerta de Tavares é sobre os efeitos sociais dessa mudança: “A decisão dogmática que foi tomada para banir a vendas de veículos térmicos em 2035 tem consequências sociais que não são negligenciáveis.”

Isso porque, segundo ele, uma migração forçada para carros 100% elétricos - mais caros do que os equivalentes a combustão ou híbridos - pode tornar a compra de um automóvel inviável para muita gente. Como ele colocou:

Se negarem às classes médias o acesso à liberdade de movimento, irão ter graves problemas sociais.

Híbridos como “solução transitória”, do mild-hybrid ao plug-in

“O que nós temos para oferecer aos nossos líderes europeus é uma solução transitória”, concluiu Tavares, ao apontar para as tecnologias híbridas (do mild-hybrid aos híbridos plug-in), que ajudariam a manter “a acessibilidade (do preço) destes veículos reduzindo as emissões de CO2 em 50%”.

Fontes: Automotive News, Autocar

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