Em 6 de fevereiro, a Stellantis comunicou que vai contabilizar uma charge extraordinária de 22 bilhões de euros na segunda metade de 2025. O montante, enorme, expõe as tensões financeiras enfrentadas pelo grupo automobilístico no meio da migração para a eletrificação.
Nesse contexto, a empresa promove uma mudança de rota expressiva: em vez de manter o foco exclusivo no elétrico, decidiu recolocar o diesel em pauta em diversos modelos vendidos na Europa, contrariando tanto suas metas de eletrificação quanto a orientação climática defendida pela União Europeia (UE).
O peso financeiro da eletrificação acelerada
A deterioração tem múltiplas causas, mas o próprio grupo destaca, sobretudo, uma eletrificação conduzida depressa demais. A Stellantis admite ter superestimado a velocidade da transição energética, apostando pesadamente em plataformas elétricas que os consumidores não adotaram com a rapidez esperada.
Num mercado europeu em que os preços seguem elevados e a adesão varia bastante de região para região, a montadora agora tenta recompor o equilíbrio do portfólio para recuperar as vendas, que vêm caindo nos últimos dois anos.
Diesel da Stellantis volta a aparecer em várias gamas
A marca, portanto, oficializou a volta do diesel em uma série de modelos. “
Nós decidimos manter os motores diesel no nosso portfólio e, em alguns casos, ampliar nossa oferta de motorizações
”, afirma, destacando que a prioridade é responder à demanda dos clientes.
Na prática, alguns veículos seguirão oferecendo essa opção, como o DS7 e também os Alfa Romeo Tonale, Giulia e Stelvio. Outros, por sua vez, voltam a receber o diesel depois de um período em que a configuração havia sido abandonada, caso dos Peugeot 308, Opel Astra e DS n°4.
No segmento de modelos familiares e derivados de utilitários, a Stellantis mantém o diesel em Citroën Spacetourer, Fiat Ulysse, Opel Vivaro e Peugeot Traveller, além de reintroduzi-lo em Citroën Berlingo, Opel Combo e Peugeot Rifter.
Uma marcha à ré abrupta frente às metas europeias
A decisão representa uma inflexão importante para um grupo que, até pouco tempo, ainda apontava para uma linha totalmente elétrica na Europa até 2030. Embora a UE tenha flexibilizado parte dos objetivos e tenha aberto espaço para ajustes no ritmo da transição energética, a mensagem passada ao mercado continua contundente.
Segundo números da Associação dos Construtores Europeus de Automóveis (ACEA), em 2025 o diesel já respondia por apenas 7,7% das vendas de carros novos na Europa, muito distante do patamar anterior ao escândalo do Dieselgate. Na direção oposta, os modelos 100% elétricos chegavam a quase 19,5% do mercado.
Concorrência chinesa e a busca por diferenciação
Para a Stellantis, a retomada do diesel também segue uma lógica competitiva. Isso porque fabricantes chineses - muito fortes em elétricos e híbridos plug-in, como a BYD - quase não atuam nesse nicho. Assim, o grupo pretende se diferenciar ao mesmo tempo em que oferece veículos mais baratos do que seus equivalentes elétricos.
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