A eletrificação total e as emissões zero continuam sendo o destino final traçado pela União Europeia. Até esse cenário se consolidar, porém, existe um combustível capaz de ajudar as montadoras a baixar emissões: o GPL (Gás Liquefeito de Petróleo). Em 2025, esse tipo de carro avançou nas vendas em ritmo superior ao do próprio mercado.
Dacia e Grupo Renault puxam as vendas de GPL
No ano passado, as vendas de automóveis equipados com sistemas a GPL subiram 9,8%, totalizando 347 717 unidades. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo Grupo Renault e, dentro dele, pela Dacia.
A marca romena terminou como líder do mercado europeu, com 89% das vendas, ao registrar 228 962 unidades - um aumento de 14% em relação a 2024.
Na sequência aparece a italiana DR Motor Company (que comercializa versões próprias de modelos de marcas chinesas como a Chery e a JAC), com 6,2% das vendas. Depois vem o grupo Hyundai-Kia, com 3,8% (fonte: DataForce via Automotive News Europe).
Onde o GPL cresce mais: Itália, Espanha e Portugal
A Itália segue como o maior mercado europeu para carros bi-fuel (gasolina + GPL): foram 141 147 veículos emplacados, o equivalente a 41% do total vendido na Europa. Ainda assim, o avanço mais forte ocorreu na Espanha, com alta de 77% e 59 284 unidades.
Portugal também teve participação nesse movimento: entre os automóveis de passeio, as vendas a GPL cresceram cerca de 25% no ano passado (fonte: ACAP), chegando a 20 326 unidades. A imensa maioria foi de Dacia e Renault, resultado que elevou a participação de 7,2% em 2024 para 9,0% em 2025.
Por que isso acontece?
Mesmo com a indústria automotiva mantendo a eletrificação total como prioridade, o GPL surge como uma alternativa para cortar emissões e se aproximar das metas definidas. Um veículo bi-fuel pode reduzir as emissões de CO2 em cerca de 10-12%.
Além disso, em países como Itália, Espanha, França e também Portugal, a tributação mais baixa do GPL ajuda a manter o preço abaixo do da gasolina, o que estimula a demanda - em Portugal, o valor por litro fica aproximadamente na metade do cobrado pela gasolina. “É uma alternativa crucial se quiserem reduzir a pegada de emissões com uma solução acessível”, afirmou Frank Marotte, diretor de vendas da Dacia, à Automotive News Europe.
“Estamos num período de transição e o GPL é definitivamente uma das soluções certas”.
Frank Marotte, chefe de vendas da Dacia
Mas até quando?
Apesar do bom momento, o GPL é encarado como uma resposta de transição. As metas de emissões da UE aumentam a pressão para que as montadoras acelerem a eletrificação, o que tende a colocar o GPL em trajetória de queda. “Não será uma oferta que possa ir além de 2030”, alertou Marotte.
Em 2025, a Dacia não conseguiu atingir as metas de emissões exigidas pela UE e deve cumprir os objetivos apenas em 2027, ano em que planeja lançar seu segundo modelo 100% elétrico.
Hoje, a marca disponibiliza motorização bi-fuel em praticamente toda a linha: Sandero (responsável por mais de metade das vendas a GPL da marca na Europa em 2025), Logan, Jogger, Duster e Bigster. A única exceção é o Dacia Spring, por ser 100% elétrico.
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