Os veículos elétricos com extensor de autonomia, identificados pela sigla EREV - Extended Range Electric Vehicle -, aparecem como uma alternativa aos modelos 100% elétricos. Na prática, a experiência lembra a de um híbrido plug-in, mas com um ponto decisivo: o motor a combustão não transmite força às rodas em nenhum momento; ele atua apenas como gerador para produzir eletricidade e recarregar a bateria.
Como funciona um EREV (Extended Range Electric Vehicle)
Ao separar totalmente o motor a combustão do conjunto mecânico de tração, o EREV mantém a condução elétrica como regra. Quando necessário, o gerador entra em ação para fornecer energia à bateria, ampliando o alcance sem depender exclusivamente de recarga externa.
Leapmotor B10 e C10: elétricos e EREV
No mercado europeu, a Leapmotor está entre as poucas marcas que oferecem essa solução hoje, embora a tendência seja de essa lista aumentar. Atualmente, a marca vende os SUVs B10 e C10 em duas configurações diferentes: duas versões totalmente elétricas e uma opção EREV.
Segundo a própria Leapmotor, esse arranjo permite ao B10 Hybrid EV, por exemplo, rodar mais de 900 km com a bateria e os tanques cheios - um número bem acima dos 434 km de autonomia WLTP divulgados para a versão elétrica equipada com a bateria de maior capacidade.
O que está em jogo para a Stellantis com o EREV da Leapmotor
Em entrevista à Autocar, Tianshu Xin, diretor-executivo internacional da Leapmotor, afirmou que a tecnologia pode ser aproveitada por outras marcas da Stellantis, incluindo Opel, Citroën, Peugeot, DS e FIAT.
“Os EREV são uma excelente tecnologia e estamos a explorar formas de aplicá-la noutros portfólios”, afirmou.
O executivo não detalhou quais marcas ou modelos poderiam receber o sistema. Ainda assim, como as plataformas são compartilhadas entre as marcas - CMP (ex-PSA), STLA Medium ou Smart Car -, se o conjunto EREV puder ser integrado a uma dessas arquiteturas, em teoria ele pode ser adaptado com relativa facilidade a diferentes veículos.
Para Xin, o EREV representa uma “boa solução intermédia” no contexto europeu, em um momento em que a adoção de carros elétricos segue abaixo do que se projetava inicialmente e a rede de recarga ainda passa por expansão.
Como o grupo já divide intensamente plataformas e componentes, isso pode facilitar a incorporação do EREV em outros modelos caso a Stellantis resolva avançar. Esse caminho também conversa com a joint venture firmada com a Leapmotor, na qual o grupo europeu possui 51% da operação internacional.
“Este era um dos objetivos quando fechámos o acordo com a Stellantis: encontrar sinergias através da utilização da tecnologia de ambas as empresas”, concluiu o executivo.
Ao mesmo tempo, Xin acrescentou que o movimento inverso também é possível. Em outras palavras, futuros modelos da Leapmotor voltados ao mercado europeu podem aproveitar plataformas já existentes do grupo francês, ajustando o portfólio às particularidades desse mercado.
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