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Ford Focus: a despedida marcada para 2025

Carro azul Ford Focus 2025 estacionado em ambiente interno com vista para cidade ao fundo.

Há carros que somem sem deixar muita falta. Com o Ford Focus, a história é bem diferente.

Assim como aconteceu com o Fiesta, o Ford Focus também já tem data para desaparecer do portfólio da marca americana - e os motivos por trás desse adeus são fáceis de entender.

Além de SUV/crossover seguirem dominando as vendas (e entregarem margens maiores), a corrida pela eletrificação exige reorganizar a gama, e alguns modelos acabam abrindo espaço para outros.

No caso do Focus, o encerramento está previsto para 2025. Ou seja: ainda restam aproximadamente dois anos para um carro que, desde a estreia da primeira geração em 1998, virou o segmento de cabeça para baixo. E, de lá para cá, manteve a fama de referência dinâmica pela qual os concorrentes se orientam.

A geração atual - a quarta - chegou em 2018 e recebeu atualização em 2021 para seguir relevante em uma categoria (sempre) complicada, onde aparecem opções mais novas como Volkswagen Golf, o Peugeot 308 e o Opel Astra. A pergunta é: ele ainda tem como se impor?

Mais moderno, mas menos ergonômico

O melhor ponto de partida é a cabine, que mudou bastante com o facelift de 2021. Assim que você entra no Ford Focus, a nova tela central de 13,2” chama atenção - está entre as maiores do segmento - e é nela que fica o sistema multimídia SYNC 4.

O conjunto oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio e se destaca pela agilidade e pela operação intuitiva, algo que, por exemplo, não dá para dizer do sistema utilizado no Volkswagen Golf.

Em contrapartida, os botões físicos do ar-condicionado deixaram de existir: agora tudo é ajustado diretamente na tela.

A troca deixou o interior do Focus com aparência mais atual, mas cobrou seu preço em usabilidade e ergonomia. Para completar, o tamanho dos ícones na tela não ajuda e atrapalha a interação no dia a dia.

Igual a si mesmo

Mesmo com uma evolução visual, o Focus seguiu “o mesmo de sempre” em dois pontos: sensação de robustez e espaço interno. No primeiro, a falta de ruídos parasitas evidencia o cuidado na montagem.

Já na parte de habitabilidade, ele fica no padrão do segmento. Atrás, há espaço suficiente para dois adultos irem confortáveis e para instalar duas cadeirinhas infantis, mas a diferença em relação ao mais compacto Puma não é tão grande quanto seria de esperar.

O mesmo raciocínio vale para o porta-malas. Os 392 l declarados dão conta das necessidades de uma família, porém o Puma chega a superar ligeiramente o Focus nesse quesito, com 401 l.

Um pequeno grande motor

Sempre que dirijo um Ford com o 1.0 EcoBoost, fica claro por que esse é um dos motores mais premiados de todos os tempos.

Como o nome sugere, ele parece ter uma espécie de “dupla personalidade”. Se a ideia for tocar de forma tranquila e aproveitar a economia, ele consegue encarar as referências do segmento em consumo.

Rodando com calma, em um percurso com longos trechos de rodovia, obtive médias tão baixas quanto 5,0 l/100 km. Inclusive na cidade dá para registrar números contidos, muito por causa do sistema mild-hybrid.

O “problema” é que a maneira como o 1.0 EcoBoost sobe de giro - e a rapidez com que ele transforma isso em velocidade - faz a gente abandonar facilmente essa postura mais moderada.

Nessa situação, o consumo vai para perto de sete litros. Ainda assim, com alguma disciplina ao volante, não é difícil ficar abaixo de seis litros a cada 100 km.

Para fechar o conjunto, há um câmbio manual de seis marchas bem escalonado e, principalmente, com um encaixe mecânico tão agradável que quase faz a gente lamentar a ótima disposição do 1.0 EcoBoost já em baixa rotação.

Referencial, como sempre

Independentemente do motor, o chassi do Ford Focus continua sendo um de seus maiores trunfos. Ainda assim, tirando de cena o bem mais forte Focus ST, é nesta configuração de 155 cv do 1.0 EcoBoost que dá para extrair melhor o potencial do conjunto.

Tanto os amortecedores quanto a direção deixam claro que a Ford buscou um equilíbrio entre conforto e comportamento dinâmico - e, no fim das contas… acertou em cheio.

A suspensão controla bem os movimentos da carroceria sem sacrificar o conforto, enquanto o peso da direção transmite segurança em curvas sem ficar pesada demais durante manobras.

O resultado é que, depois de um trecho sinuoso, é difícil o motorista não terminar com um sorriso no rosto. Afinal, honrando a própria reputação, o Focus segue como um dos carros mais bem acertados e mais divertidos de dirigir do segmento.

O custo do equipamento

O destaque recente para o aumento nos preços dos carros - que não param de subir, talvez com a exceção de outra marca americana - também atingiu o Ford Focus. Valores altos viraram o “novo normal”.

Mesmo assim, a unidade testada trazia etiqueta de aproximadamente 40 mil euros, reflexo de muitos opcionais, apesar de já oferecer um pacote de série bem completo.

O ponto delicado para o compacto familiar da Ford é que existem alternativas híbridas, como o Honda Civic, ou híbridas plug-in, como o Opel Astra, por preços não muito mais altos e com argumentos que ele não oferece. Por melhor que sejam desempenho e consumo do Focus, eles perdem brilho diante das opções eletrificadas.

E, mesmo sem o “fator diversão” que define a experiência ao volante do Ford Focus, na hora de fazer as contas (incluindo custos de uso) essas alternativas sempre vão ter algo a dizer.

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