Quando se fala em indústria automotiva chinesa, é comum pensar em carros elétricos e em marcas recém-criadas disputando um mercado cada vez mais cheio. Só que as fábricas do país não estão focadas apenas em lançar novidades: ali também estão surgindo alternativas para manter alguns dos clássicos mais famosos do planeta rodando por muitos anos.
Na cidade de Baoying, a cerca de três horas de Xangai, uma empresa vem fabricando carrocerias completas e painéis de reposição para modelos históricos.
Clássicos que a Jiangsu Juncheng Vehicle Industry Co. está ajudando a preservar
Entre os carros atendidos estão a Volkswagen “Pão de Forma”, os Toyota AE86 e Land Cruiser, o Ford Bronco original e o Mustang de 1967. E, em breve, devem entrar na lista o Porsche 911 da geração (964) e o lendário Mercedes-Benz 300 SL Gullwing.
Manter os clássicos na estrada
Quem assina esse trabalho é a Jiangsu Juncheng Vehicle Industry Co., que enxergou espaço justamente onde muitos fabricantes, há bastante tempo, deixaram de apostar.
O caminho até a peça final começa bem antes de a primeira chapa ser estampada. Sempre que a empresa decide recriar componentes de um modelo novo no catálogo, o primeiro passo é desenvolver as matrizes usadas no processo de estampagem.
Do desenvolvimento das matrizes à estampagem
Essas matrizes são inicialmente usinadas em aço de alta resistência com máquinas CNC e, na sequência, recebem ajustes manuais feitos por técnicos especializados - um método que mistura recursos modernos com acabamento artesanal.
Somente depois disso é que a produção em série pode começar. Capôs, portas, painéis laterais e até pequenos suportes metálicos passam a ser reproduzidos com alto nível de fidelidade.
Tem qualidade?
China e qualidade nem sempre foram termos associados, mas, se existia alguma dúvida sobre o padrão dessas reproduções, dois episódios ajudam a esclarecer.
O primeiro é o relato de Larry Chen, fotógrafo automotivo e colaborador da Hagerty, que esteve nas instalações da empresa e destaca o nível de atenção aos detalhes e os critérios de qualidade aplicados no local. Assista ao vídeo:
O segundo sinal vem do próprio mercado de clássicos, que aparentemente valida o serviço. Recentemente, uma carroceria de Ford Bronco produzida por essa empresa foi utilizada em um projeto de restomod nos Estados Unidos - e o veículo acabou vendido por cerca de 400 mil dólares (cerca de 368 mil euros à taxa de câmbio atual).
Para os puristas, isso pode soar como mais um “prego no caixão” para a indústria automotiva europeia, americana e japonesa. Ainda assim, iniciativas desse tipo podem ser decisivas para o futuro do setor de restauração.
À medida que as montadoras param de fabricar peças para modelos antigos e históricos e os componentes originais ficam cada vez mais raros, a capacidade de reproduzir peças estruturais com qualidade vira um fator essencial para manter muitos desses carros nas ruas.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário