Simples, acessível e feito para durar: é assim que o Citroën Oli se posiciona. Depois de vê-lo de perto em Paris, ficou claro já ali quais são as ideias centrais defendidas por esse conceito.
Saindo do discurso e indo para a experiência real, também foi possível dirigir o Oli em Portugal, mais especificamente no Guincho - apesar de ser um protótipo único, ele funciona de verdade.
Durante todo o contato, uma pergunta guiou a avaliação (e ela é crucial): até que ponto o Citroën Oli está próximo de virar um carro de produção?
Ninguém fica indiferente…
O visual do Oli já foi tema aqui em outras ocasiões. Ele aposta em um estilo minimalista, com uma pegada divertida, e chama atenção por onde passa. Muito disso vem dos para-choques iguais na dianteira e na traseira, dos recortes das caixas de roda e das portas, além do para-brisa bem vertical e da possibilidade de se transformar em uma… pick-up.
Só que o projeto vai muito além do que aparece à primeira vista. Neste protótipo, praticamente tudo tem um motivo, e rapidamente dá para perceber que a função manda mais do que a forma - sempre com o custo no centro das decisões, já que o preço ainda é o maior “calcanhar de Aquiles” dos elétricos.
Por isso, o Citroën Oli usa menos peças do que um carro tradicional e recorre a materiais reciclados. Na prática, isso aponta para um preço de compra mais baixo, manutenção potencialmente mais barata e maior vida útil.
Parece um buggy lunar, mas é funcional
A aparência de buggy lunar pode enganar, mas o Oli é plenamente utilizável. Ele parte da plataforma E-CMP, a mesma do Citroën ë-C4, e promete 400 km de autonomia com uma bateria de 40 kWh.
A proposta gira em torno de eficiência: a marca fala em consumo médio de apenas 10 kWh/100 km - e o fato de o conjunto pesar só 1000 kg certamente ajuda. Na recarga, o protótipo pode ir de 20% a 80% em apenas 23 minutos.
Dá conta da estrada?
A Citroën não divulga a potência do motor elétrico do Oli, mas confirma que a velocidade máxima é limitada a 110 km/h. Não é um número impressionante, porém, na estrada, não houve a sensação de que faltasse mais.
Como se trata de um protótipo único no mundo, o test-drive foi curto e teve algumas restrições (especialmente em velocidade, tempo e distância percorrida).
O Oli foi idealizado para circular em ambientes urbanos e, nesse cenário, 110 km/h dá e sobra. Até porque ele responde bem, como acontece com a maioria dos elétricos atuais.
Ele é ágil, simples de guiar e bem prazeroso de usar, principalmente em velocidades mais baixas, típicas dos centros urbanos mais movimentados.
Ainda assim, o que mais surpreendeu ao volante foi perceber que este conceito está bem mais próximo de um carro de produção do que eu imaginava.
Rudimentar? Longe disso
A expectativa era encontrar algo mais rudimentar e bem mais simples, feito apenas para testar ideias e conceitos. Mas a realidade foi diferente: é um modelo que dá para usar e… aproveitar.
Claro, o isolamento acústico é quase inexistente, o padrão de montagem está longe do que se vê em um veículo à venda e o próprio software que comanda todo o sistema elétrico ainda está muito distante de uma versão definitiva. Mesmo assim, o Oli me surpreendeu.
Não apenas no funcionamento, mas também no rodar: ele é mais confortável do que se poderia supor, mesmo com este protótipo usando pneus “revolucionários” capazes de durar até 500 mil quilômetros e bancos produzidos com impressão 3D.
O Oli tem futuro?
A Citroën foi direta ao afirmar que o Oli não vai entrar em produção e deve ser entendido como um laboratório sobre rodas. Ainda assim, é seguro dizer que várias dessas soluções e ideias devem aparecer nos próximos lançamentos da marca francesa.
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