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Skoda Octavia RS: teste do hatch esportivo familiar

Carro verde Skoda Octavia RS estacionado em ambiente moderno com vidro e iluminação natural.

Desde 2001, o Skoda Octavia RS mostra que a marca tcheca vai muito além de carros apenas práticos e versáteis.

A linha Octavia oferece opções a gasolina, Diesel e também versões híbridas com recarga externa, mas é no RS que aparece a configuração mais empolgante.

O conjunto mecânico é o mesmo do incontornável Volkswagen Golf GTI, o que traz ganhos claros de desempenho - e, ainda assim, sem abrir mão dos argumentos racionais que sempre fizeram do Octavia um carro mais “de família”. A questão é: o Octavia RS consegue bater de frente com uma das referências entre os hatches esportivos?

À altura das expectativas

Considerando que o Skoda Octavia RS divide a base técnica com o Golf GTI, era natural esperar muito do que ele entregaria ao volante. Depois de guiá-lo, dá para dizer sem rodeios: o tcheco não decepciona.

No uso real, a condução lembra bastante a do Golf GTI e exibe “múltiplas” facetas, dependendo do modo escolhido.

Nos perfis “Eco” ou “Comfort” - além do “Individual”, que permite montar uma regulagem sob medida - o Octavia RS se mostra confortável, inclusive em deslocamentos longos, e ainda chama atenção pela facilidade de dirigir e… pelo consumo.

Tocando de forma mais tranquila, foi simples registrar médias entre 6,5 e 7 l/100 km, e isso sem que o 2.0 TSI (o onipresente EA888) parecesse excessivamente “domado”.

Já no modo “Sport” é como se o Octavia RS “acordasse”. A direção ganha peso e reage com mais rapidez, o câmbio DSG segura o giro mais alto antes de trocar (e troca mais tarde), e a resposta do motor fica (ainda) mais imediata.

Em termos de comportamento dinâmico, o destaque é, acima de tudo, a eficiência. Assim como o Golf GTI, o Octavia RS não é a opção mais divertida para guiar com a “faca nos dentes”, mas certamente está entre as mais competentes - e entre as que fazem andar rápido com menos esforço, sem exigir do motorista um “super kit de unhas”.

Basta uma leve provocação no acelerador para o Octavia RS arrancar com vontade, fazendo “jogo igual” com o Golf GTI. É verdade que o 0 aos 100 km/h é um pouco mais lento - 6,7s em vez de 6,2s -, porém, no “mundo real”, a diferença quase não aparece.

Nesse ritmo, o consumo sofre e não é incomum ver o computador de bordo indicar números na faixa dos 11 l/100 km. Se esse aumento é aceitável, o mesmo não dá para dizer sobre o som artificial do motor.

Dentro do Octavia RS, até parece convincente; mas basta baixar o vidro para notar que o ruído que entra na cabine vem das caixas de som, e não do escapamento.

Lobo em pele de cordeiro? Nem por isso

Normalmente discreto, o Skoda Octavia RS deixa a sobriedade de lado e vira um carro bem mais chamativo. Seja pela pintura azul da nossa unidade, pelas rodas de 19” ou pelas pinças de freio vermelhas, o tcheco passa longe de ser confundido com outros Octavia.

Inclusive, nos dias em que ficou comigo, tive a impressão de que ele atraía mais olhares do que o próprio Golf GTI.

O fato de a Skoda ser ligada a propostas mais racionais pode ajudar a explicar isso, mas é inevitável reconhecer o bom trabalho da marca tcheca em transformar este Octavia em algo bem mais vistoso.

Por dentro, os bancos esportivos fazem bem o papel de manter o corpo “no lugar” quando o ritmo aperta, e o painel com acabamentos que imitam carbono e camurça evita qualquer dúvida: este não é um Skoda Octavia comum.

Quanto à sensação de robustez e ao agrado dos materiais, eles seguem o padrão ao qual os demais Octavia já nos acostumaram e, para ser sincero, não dá para dizer que exista uma diferença especialmente relevante frente ao Volkswagen Golf GTI.

Outro ponto em que o Skoda Octavia RS supera o Golf GTI - e boa parte dos rivais - é o espaço interno. As medidas na cabine são mais generosas e o melhor é nem colocar lado a lado os porta-malas: os 600 l do Octavia “esmagam” os 374 l do Golf e chegam a causar inveja até em algumas peruas.

É o automóvel certo para você?

Se existe algo que merece elogio no Octavia RS, é a capacidade de entregar dinâmica competente e bom desempenho, ao mesmo tempo em que cumpre com folga a função de “carro de família”.

Em comparação ao “primo” alemão, ele perde (por pouco) em performance, e faz sentido pensar que um Volkswagen Golf GTI seja uma opção mais atraente quando as exigências “familiares” não são prioridade para o comprador.

Ainda assim, para quem já está em outra fase da vida e não quer abrir mão de desempenho nem de uma condução mais envolvente, o Skoda Octavia RS aparece como uma das melhores ofertas do mercado.

No fim das contas, a discussão não é tanto sobre ser ou não melhor que o Golf GTI, mas sim sobre o quanto as necessidades familiares pesam para cada pessoa.


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