A Délégation à la Sécurité Routière (DSR) está avaliando a possibilidade de flexibilizar o exame da carteira de motorista.
Para muita gente, a carteira de motorista é o verdadeiro “Santo Graal”: um símbolo concreto de independência e liberdade. Só que chegar até ela está longe de ser simples. Uma parcela considerável dos candidatos não passa na prova e precisa tentar de novo. Na maioria das situações, a reprovação vem de uma falta eliminatória - como negar a preferência, entrar em via proibida ou não respeitar o “pare” - mesmo quando não há risco imediato.
Nos últimos meses, um grupo de trabalho ligado à DSR vem estudando caminhos para tornar o exame “mais justo e menos rígido”. Ainda assim, a proposta está longe de ser consenso.
Um exame mais simples?
Atualmente, a taxa de aprovação na carteira de motorista permanece travada em 60% há vários anos, com mais de 1,5 milhão de pessoas fazendo a etapa prática. Em 9 de cada 10 casos, a eliminação ocorre por causa de um erro eliminatório.
A rigidez do modelo francês e a dificuldade para remarcar
Na comparação com outros países europeus, a França adota um padrão especialmente inflexível. Quando um motorista iniciante comete uma falta eliminatória, a tentativa praticamente termina ali: o exame é interrompido e o candidato é reprovado - mesmo que não exista qualquer perigo imediato.
E, para agendar uma nova prova, muitas vezes é preciso ter paciência. A demanda é grande, mas as vagas são poucas. É justamente por isso que a DSR considera tornar o processo menos rígido.
Erros eliminatórios que podem deixar de reprovar
Entre as hipóteses discutidas, está a ideia de que não parar diante de uma placa de “pare” poderia deixar de ser eliminatório quando não houver ninguém no cruzamento e não existir risco real na via. Da mesma forma, uma mudança de faixa sem checagem poderia ser aceita quando não houver perigo comprovado.
Resistência de autoescolas e inspetores
Apesar dessas possibilidades, muitos instrutores de autoescolas e inspetores se colocam contra a flexibilização. Para eles, abrir margem para tolerar esse tipo de erro no dia da prova pode criar um problema no longo prazo. A preocupação é: como garantir que os novos motoristas levem essas regras a sério depois de conquistar o “Graal”?
Na visão desses profissionais, simplificar a carteira de motorista seria, portanto, arriscado. Eles defendem que faria mais sentido elevar o nível de competência dos aprendizes e ampliar a contratação de inspetores. Por enquanto, porém, nada foi implementado. A Délégation à la Sécurité Routière diz que nenhuma decisão foi tomada até o momento e que se trata apenas de um trabalho colaborativo.
Enquanto a carteira de motorista passa por uma fase de mudanças (grandes) com o objetivo de melhorar a segurança viária e reduzir o número de acidentes fatais, a proposta de facilitar a obtenção do documento soa estranha. Resta aguardar a posição do grupo de trabalho da DSR nos próximos meses.
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