As próximas decisões da Comissão Europeia sobre a nova categoria das “e-car” podem ter um efeito direto no futuro das micro-citadinas na Europa - e até abrir espaço para a Peugeot voltar a apostar na pequena 108. A forma como as regras vão enquadrar os carros do segmento A tende a pesar (e muito) na rentabilidade desse tipo de produto para as montadoras.
O charme das micro-citadinas do segmento A
Pequenas, espertas e feitas sob medida para o caos das cidades, as compactas do segmento A sempre tiveram um apelo próprio. Da Peugeot 108 à Citroën C1, passando pela vibrante Ford Ka ou pela disciplinada Volkswagen Up, esse tipo de carro representa uma mobilidade mais simples, mais acessível e prática - muito valorizada por quem dirige em ambiente urbano. Só que, nos últimos anos, esse mercado foi ficando de lado, enquanto outras categorias mais lucrativas (e, por consequência, mais caras) ganharam prioridade.
Peugeot 108 e a possível volta ao segmento A
No grupo Stellantis, por exemplo, já existiram a Peugeot 108 e a Citroën C1, mas ambas desapareceram das tabelas há alguns anos. O retorno de modelos do segmento A, porém, pode voltar ao radar - desde que as próximas regras europeias tornem o projeto financeiramente viável.
“Se um novo quadro regulatório nos permitir fabricar novamente pequenos carros do segmento A sem perder dinheiro com isso, não vamos deixar essa oportunidade passar”, afirma Alain Favey, diretor-geral da Peugeot.
Comissão Europeia e a categoria “e-car”: o que está em jogo
Em breve, a Comissão Europeia terá de se posicionar sobre um segmento próximo ao das kei-cars: micro-citadinas que fazem enorme sucesso no Japão e que poderiam mexer com o mercado de elétricos ao oferecer preços muito mais acessíveis. Para 2026, a Renault já confirmou o retorno da Twingo com um visual bem inspirado em 1993, enquanto a concorrência prepara outros modelos com a mesma proposta.
Agora, resta entender se a Europa vai se inspirar de fato no modelo japonês das kei-cars e se o mercado de micro-citadinas passará a ter um enquadramento técnico mais leve - com ou sem motor 100% elétrico. Uma regulamentação mais flexível poderia, assim, reabrir caminho para carros ultracompactos, mais leves e possivelmente mais baratos, como o mostrado no mais recente concept-car da Dacia.
Concorrência chinesa de olho: BYD e a kei car Racco
Esse potencial novo nicho não está sendo observado apenas pelas marcas europeias. As montadoras chinesas também acompanham o tema bem de perto - começando pela BYD, que recentemente oficializou a Racco. Trata-se de uma nova kei car elétrica com dimensões extremamente compactas: menos de 3,4 m de comprimento e 1,48 m de largura, com espaço para 4 passageiros, e preço estimado em cerca de 14.000 €.
No último verão europeu, John Elkann (presidente da Stellantis e da Ferrari) declarou, durante uma conferência em Turim: “Não há nenhuma razão para que, se o Japão tem uma kei car, que representa 40% do mercado, a Europa não tenha uma e-car (sua versão elétrica)”.
É nesta quarta-feira, 10 de dezembro, que a Comissão Europeia vai apresentar um pacote de medidas para apoiar a indústria automotiva, incluindo a possibilidade de criar uma nova categoria chamada “e-car”.
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