A Tesla pode estar muito perto de atingir a tão buscada paridade de custos entre um veículo elétrico e um a combustão. Isso pode acontecer caso se confirme, como noticiou a Reuters, a adoção de novas baterias de baixo custo no Tesla Model 3 fabricado na China no fim deste ano (ou no começo do próximo).
Além de custarem menos do que as baterias atuais, essas novas unidades também devem entregar uma durabilidade elevada: algo em torno de um milhão de milhas, o que corresponde a 1,6 milhões de quilômetros.
Com uma vida útil tão longa, é natural esperar que essas baterias ainda possam ganhar uma segunda - e até uma terceira - utilização, passando a integrar também a rede elétrica geral.
Baterias de baixo custo? Como?
Não é novidade: as baterias são o principal componente por trás do alto custo de produção dos carros elétricos quando comparados aos modelos a combustão. Esse custo elevado vem, sobretudo, de dois pontos: as matérias-primas usadas (cobalto, níquel, lítio, manganês) e o próprio processo de fabricação.
Nos últimos anos, analistas vinham apostando que o preço das baterias cairia a ponto de, no início desta década, ser possível alcançar a paridade com os automóveis convencionais. Só que os números não confirmaram esse otimismo: em média o custo de produção é 9000 a 11 000 euros superior por unidade, e não há expectativa de cortes relevantes nos próximos anos.
Mesmo assim, a Tesla aparenta ter conseguido “decifrar” a questão. Segundo a Reuters, a Tesla, em parceria com a chinesa Contemporary Amperex Technology Ltd (CATL), teria uma solução encaminhada e pronta para entrar em produção no final do ano ou início do próximo. Os avanços relatados teriam nascido em um laboratório de pesquisa da Universidade Dalhousie, na Nova Escócia (Canadá), liderado desde 1996 por Jeff Dahn - um dos pioneiros no desenvolvimento de baterias de íons de lítio, tanto para veículos quanto para armazenamento na rede.
A bateria de baixo custo da Tesla se torna viável graças a mudanças na “receita” química, que permitem reduzir de forma substancial a quantidade de cobalto usada - a matéria-prima mais cara em uma bateria -, ou até eliminar o cobalto por completo. Também são mencionados aditivos químicos, materiais e revestimentos capazes de diminuir o estresse interno do conjunto, aumentando a capacidade de armazenar energia por mais tempo.
A CATL vem investindo em baterias de Fosfato de Ferro-Lítio (LiFePO4), que dispensam o cobalto, e também teria pronta uma versão aprimorada da bateria “de longa vida” de níquel-manganês-cobalto (NMC), na qual o cátodo é composto por 50% de níquel e apenas 20% de cobalto - quando o padrão costuma ser 33%.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, as baterias de Fosfato de Ferro-Lítio da CATL já estariam abaixo de $80/kWh (dólares por kilowatt-hora), enquanto a NMC melhorada se aproximaria de $100/kWh - em 2019 o custo médio por kWh fixou-se nos $156, o que ajuda a entender o tamanho do efeito que esses avanços podem ter no custo final de um carro elétrico.
“Embalar” melhor as baterias também reduz custos
Para completar, a CATL teria criado um jeito mais simples e barato de “organizar” as células que a Tesla pretende - e deve - adotar. Chamado de “cell-to-pack”, o método elimina a etapa intermediária de agrupar as células primeiro em módulos, para só depois colocá-los na “caixa” que forma a bateria final.
A promessa é elevar a densidade energética do conjunto em 10-15%, ocupar 15-20% menos espaço e ainda cortar em 40% o número de peças necessárias (fonte: Gizmodo) - e, com isso, reduzir custos.
Além disso, a Tesla busca colocar em prática processos de produção de baterias com altos níveis de automação, acelerando a fabricação e baixando despesas. Fala-se, inclusive, em novas Terafactories, 30 vezes maiores do que a Gigafactory existente no estado de Nevada.
A última parte dessa equação passa pela reciclagem e pela recuperação de lítio, cobalto e níquel presentes nas baterias - algo que a Tesla persegue por meio de sua afiliada Redwood Materials. Sem deixar de lado a “segunda vida” que baterias automotivas podem ter ao integrar sistemas de armazenamento da rede elétrica, como já foi visto na Austrália em 2017.
Battery Day trará mais respostas
Nos últimos meses, Elon Musk, CEO da Tesla, vem “provocando” investidores e concorrentes ao prometer avanços relevantes na tecnologia de baterias. Essas baterias de baixo custo e “de longa vida” podem ser o grande destaque do Battery Day da Tesla, evento que reúne as novidades relacionadas à “máquina elétrica” que move os modelos da marca. Segundo Musk:
“Queremos deixar as notícias excitantes para esse dia, mas haverá muitas notícias excitantes. E eu penso que será um dos dias mais excitantes na história da Tesla (…)”
O Battery Day deve acontecer em breve - e também foi adiado por causa da pandemia de Covid-19 -, mas tudo indica que ocorra durante a terceira semana deste mês, entre 17 e 23 de maio. Será nesse momento que vamos conhecer as baterias de baixo custo e com vida útil de 1,6 milhões de quilômetros?
Fonte: Reuters.
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