A forma como o Grupo Volkswagen repartiu o investimento anunciado deixa claro, sem muito esforço, o que aparece no topo da lista de prioridades. Do montante considerado astronômico, 122 bilhões de euros vão para o desenvolvimento e a fabricação de veículos elétricos e de software.
O comunicado foi apresentado durante a conferência anual do Grupo Volkswagen. Oliver Blume, diretor executivo do grupo, descreveu 2023 como “decisivo para executar objetivos estratégicos”.
Conforme o relatório anual mais recente, o conglomerado alemão pretende elevar os investimentos em 13%, com eletrificação e frentes correlatas respondendo por dois terços do volume total.
Ao lado de anúncios relevantes de aporte e de um novo modelo - que deve colocar a Volkswagen na disputa por escala entre os 100% elétricos -, aparece também um objetivo explícito: aumentar a produtividade.
Para Arno Antlitz, diretor financeiro do Grupo Volkswagen, 2023 precisa ser “o ano da produtividade”, como afirmou em entrevista ao 360 Grad, jornal editado pelos trabalhadores. Com isso, a estratégia conduzida por Blume tende a mexer com a dinâmica interna.
Os planos incluem ainda a fabricação de baterias e investimentos em digitalização voltados ao mercado chinês. Também está previsto um avanço importante na presença do Grupo na América do Norte, com a inauguração de sua primeira fábrica de baterias fora da Europa, no Canadá.
Mercado está confiante, mas pressão aumenta do lado dos investidores
A reação do mercado ao anúncio do investimento do Grupo Volkswagen, somada às demais projeções, tem sido favorável. A estimativa do grupo é que a receita de vendas chegue a 350 bilhões de euros neste ano. A previsão de alta de 14% nas entregas, impulsionada pela redução da instabilidade na cadeia de distribuição, reforça ainda mais as expectativas.
Ainda assim, entre investidores a cobrança cresce. O esforço de eletrificação do Grupo Volkswagen é elevado, não apenas no produto, mas também nas fábricas de baterias que devem ser construídas nos próximos anos. Além disso, entra na conta o custo de desenvolver motores a combustão para adequá-los às normas Euro 7. Trata-se de um “enorme barco” que Blume precisa conduzir com precisão, porque qualquer desvio significa perda de tempo e muito dinheiro.
O ano 2022
O ano passado terminou no positivo para o Grupo Volkswagen, embora ainda sob efeitos da pandemia e da guerra na Ucrânia. A margem de lucro ficou em 8,1%, e tanto o faturamento quanto os lucros superaram 2021, apesar de terem potencial para resultados mais fortes.
Mesmo assim, todas as marcas registraram aumento de lucros. Até a SEAT e as marcas de volume conseguiram atravessar o teste de fogo que foi 2022. Embora tenham entregado menos carros, os lucros operacionais combinados de Volkswagen, Skoda e SEAT avançaram para 4 bilhões de euros, ante 3,5 bilhões em 2021.
A CARIAD, divisão de software do Grupo, encerrou o ano com desempenho negativo, ao registrar prejuízos acima de 2 bilhões de euros.
Elevar a distribuição de dividendos seguirá sendo uma tarefa hercúlea. O Grupo Volkswagen aponta alguns obstáculos, como os investimentos previstos, a instabilidade geopolítica e o esforço para cumprir normas de emissões que alguns fabricantes afirmam ter eficácia duvidosa.
O caminho adiante, longe de ser simples, pode ficar menos complicado caso a União Europeia responda de maneira positiva à pressão das montadoras, que pedem mudanças na futura norma Euro 7.
Fonte: Automotive News
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