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5 carros usados baratos com potencial de clássico: Renault Twingo, FIAT Panda / SEAT Marbella, Lada Niva, Mercedes-Benz 190 e Audi TT

Showroom com carros novos estacionados, incluindo Audi prata, Volkswagen azul, Renault vermelho e Mercedes verde.

Portugal não é exatamente um paraíso para quem gosta de carro - seja para comprar zero-quilômetro, seja para encarar um usado.

Nos modelos novos, estamos entre os países com impostos mais pesados. Já no mercado de usados, a procura é tão alta que acaba empurrando os preços para cima.

E tem mais: quando o assunto são automóveis que mexem com a paixão, parece que o "céu é o limite" quando se fala em valorização.

Ainda assim, alguns modelos continuam meio fora do radar e, com sorte, dá para colocar um deles na garagem sem estourar o orçamento.

Não são carros para o dia a dia - desculpem, mas para isso nada supera um veículo mais recente. A proposta aqui é ter um carro para curtir no tempo livre. Esta é a minha lista, mas aceito sugestões.

Uma lista totalmente pessoal

Os cinco modelos abaixo são escolhas minhas. São carros de que eu gosto e que dizem alguma coisa para mim. Não encarem como dica de investimento.

Até porque existem variáveis demais influenciando os preços dos usados. Quer um exemplo? O nosso Mercedes-Benz 190 (W201).

Na minha lista de buscas em classificados - como o Pisca Pisca, por exemplo - há modelos que vivem aparecendo entre os mais procurados. Alguns já estão na minha garagem; outros, quem sabe, ainda entram um dia.

Renault Twingo (1993-2001)

Confiável, espaçoso, prático e gostoso de dirigir. Ainda dá para achar esse carro - que virou o segmento dos compactos de cabeça para baixo - por menos de 1000 euros.

As unidades mais inteiras podem custar o dobro ou até o triplo disso. Na minha visão, ele tem tudo para virar um clássico cult.

Cores chamativas, interior modular, um desenho fora do padrão… no fim das contas, é uma lufada de ar fresco que não perdeu a graça com o tempo.

É um carrinho cheio de personalidade, e as versões com teto de lona são as mais interessantes. A mecânica costuma ser robusta e, nos modelos posteriores a 1996, já há potência suficiente para encarar qualquer deslocamento.

Enquanto isso, nos EUA começou uma onda de interesse por carros franceses. O Twingo está entre os modelos "ao barulho" e já existem unidades atravessando o Atlântico.

FIAT Panda / SEAT Marbella (1989-2003)

Esqueçam as versões 4X4 - eu falei de carros baratos, e o Panda 4×4 saiu dessa categoria faz tempo.

Num mundo cada vez mais complicado, o encanto do Panda está justamente em ser simples.

Eu queria ter um Panda / Marbella. Só não aconteceu ainda porque o Twingo não quer abrir espaço. E confesso: até hoje me arrependo de ter deixado passar um FIAT Panda 750 CL com 70 000 km. Pediam 900 euros, negociáveis.

Algumas pessoas dizem que ele não tem grande apelo. Eu também pensava assim. Depois, numa viagem à Itália, vi alguns em combinações de cores bem legais e acabei me rendendo a esse simpático urbano.

Além disso, ele carrega sob o capô um pedacinho da história da engenharia automotiva: o lendário motor FIRE da Fiat. Nem que fosse só por esse motivo, já merece atenção.

Lada Niva (1977-presente)

O mercado de usados de carros com tração para fora de estrada entrou numa verdadeira loucura.

Quer um exemplo? Procurem por Mitsubishi Pajero. Unidades com mais de 400 000 km, interior detonado e carroceria no mesmo estado valem mais de 6000 euros.

A realidade é que os todo-terreno estão cada vez menos ao alcance. Mesmo assim, existe um modelo que continua - como sempre foi - relativamente acessível: o Lada Niva.

Achar um em bom estado não é fácil. Porém, a mecânica é descomplicada, as peças são resistentes e dá para fazer um restauro em casa sem grandes mistérios.

Se você encontrar um com o chassi "direito", transmissão em ordem e motor funcionando, não se assuste com amassados na lataria. Aí está um ótimo projeto para 2023.

Mercedes-Benz 190 (1982-1993)

Talvez esta seja a "última parada" desse modelo antes de ele ser expulso do "clube das bagatelas".

Quando estreou, era um verdadeiro compêndio tecnológico - eu compartilhei um pouco da história dele neste vídeo. E, como a gente vê todo dia, ainda há muitas unidades rodando, prova da qualidade do projeto e da construção.

Eu conheço bem esse carro. Tenho um coração mole e me apaixono fácil por modelos que, para quem não é desse meio, não passam de "chaços".

Como dá para ver neste artigo escrito em 2019, o interesse por esse Mercedes nascido em Estugarda vem de longa data. Levei dois anos até achar o 190 que eu queria, pelo preço que eu estava disposto a pagar.

É um daqueles carros em que eu aposto que vai valorizar. Conforme as unidades "sem salvação" forem sumindo do mercado - e são elas que ajudam a segurar os preços em níveis toleráveis -, as que estiverem em bom estado, ou ao menos num estado razoável, vão seguir o caminho delas.

Lá fora, essa valorização já começou. No ano passado, visitei uma feira de clássicos na Alemanha e foi este o cenário que encontrei.

Audi TT (1998-2006)

Para mim, é um dos Audis mais bonitos de todos os tempos - afinal, foi desenhado por Freeman Thomas e teve a transição para produção supervisionada por Peter Schreyer. Houve uma fase em que eu achava que ele não estava envelhecendo bem, mas, com o tempo, o visual voltou a ganhar charme.

Durante muito tempo, o preço no mercado de usados despencou. Depois entrou naquela espiral que a gente já conhece: virou compra de jovens mais ousados, passou a receber modificações duvidosas e acabou associado a uma imagem menos positiva.

Na versão roadster, ainda é um dos conversíveis mais baratos do mercado. Não imagino que vá se valorizar muito, mas ao menos não deve perder valor - e isso já é um ponto excelente.

Pode haver carros à venda com preços inflados. O Audi TT não é um deles.

E, além do mais, é um carro até que prático. Eu dirigi um Audi TT de primeira geração por apenas uns rápidos 30 minutos, mas curti a experiência. É aquele segundo carro que eu gostaria de ter na garagem para passear no fim de semana.

A variação de preços é gigante

Não é nada difícil encontrar alguns dos modelos que citei com diferenças de preço enormes.

Se você está atrás de um usado - com potencial para virar clássico -, vale a pena procurar com calma. Às vezes, os valores pedidos são altos, e por isso certos anúncios ficam eternamente à venda, sem aparecer um novo dono.

Priorize unidades bem cuidadas e, de preferência, sem modificações. Qualquer conserto pode sair caro. Dependendo do carro, os custos podem até ultrapassar o valor de mercado.

O conselho de quem já errou algumas vezes? Não vá no mais barato. Vá no preço justo. Tenha paciência e não compre por impulso.

Essa última parte é fundamental: esperar! Não é um carro, é uma moto, mas a lógica é igual. Eu fiquei um ano esperando aparecer a Honda NX 250 certa. Valeu a pena.

Seguindo essas regras, com certeza você encontra um carro que pode morar na sua garagem por um custo mais baixo, render boas memórias e, quando chegar a hora de vender, provavelmente não vai fazer você perder dinheiro.

Eu poderia colocar outros modelos nessa lista. Faço mais uma crônica ou não? Fico esperando as sugestões de vocês. Agora, se me dão licença, vou procurar um Lada Niva… até já.


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