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Inglaterra: câmeras flagram celular ao volante e multa de £200 com 6 pontos

Homem preocupado no banco do passageiro dentro de carro, olhando para celular e segurando documento.

Os semáforos ficam verdes numa manhã chuvosa de terça-feira em Manchester - e nada acontece. Na frente da fila, um hatch compacto permanece parado, luzes de freio acesas, com a motorista curvada sobre uma tela brilhante.

Atrás, as buzinas começam a cortar o ar. Um ciclista se espreme pelo lado, balança a cabeça e aponta para o celular. Meio minuto depois, o carro dá um solavanco e anda; a motorista segue atrapalhada, sem imaginar que uma câmera à beira da via já registrou tudo.

Ela só vai perceber alguns dias depois, quando um envelope pardo aparecer no capacho. Multa. Pontos. Um recado direto de que as estradas da Inglaterra estão mudando em silêncio.

E há uma regra nova pegando gente desprevenida - mais depressa do que muita gente imagina.

O que mudou nas estradas da Inglaterra - e por que as multas estão se acumulando

Em toda a Inglaterra, motoristas passaram a ser observados de um jeito diferente. Não por um agente entediado parado num recuo, e sim por câmeras discretas que não piscam - e nem estão interessadas no velocímetro.

Esses sistemas de fiscalização de trânsito miram o que ocorre dentro do carro. Um celular na mão no semáforo. Uma olhadinha rápida em congestionamento. Um motorista equilibrando um café para viagem no volante.

O Highway Code foi atualizado, a legislação ficou mais rígida e as punições aumentaram. Mesmo assim, milhares de pessoas ainda dirigem todos os dias como se nada tivesse mudado. É justamente nesse descompasso entre regra e hábito que multas pesadas estão caindo.

Num trecho cinzento da A10, em Hertfordshire, a polícia fez uma operação de uma semana com uma câmera instalada no alto de uma van sem identificação. O alvo não eram os apressados acima do limite de velocidade: eram as mãos no celular.

Em apenas sete dias, foram flagrados centenas de motoristas usando o telemóvel/celular, muitas vezes em baixa velocidade ou em trânsito lento. Alguns estavam em chamadas de vídeo. Outros - inacreditavelmente - assistiam a filmes.

Muita gente achou que estaria “segura” por não estar “dirigindo de verdade”: andando a passos de formiga no congestionamento, parada em semáforo temporário de obras ou esperando em fila para entrar numa rotatória. É exatamente aí que a regra nova morde: se o motor está ligado e você está numa via pública, o celular na mão fica proibido. Motor ligado + celular na mão = possibilidade de multa de £200 e 6 pontos.

No papel, a mudança parece pequena - mas ela vira do avesso anos de hábito casual. Antes, a ideia era simples: não usar celular na mão enquanto estiver “dirigindo”.

Agora, o que conta como “uso” ficou muito mais amplo. Tocar na tela para pular uma música, conferir um mapa, deslizar uma notificação, gravar um vídeo para rede social - tudo isso pode ser considerado infração.

Até usar o celular como GPS vira um terreno perigoso se você estiver segurando o aparelho ou mexendo nele enquanto se desloca, ou mesmo parado no trânsito com o motor ligado. A lei não se comove com “foi só um segundo”. Ela parte do princípio de que, a 30 mph, um segundo basta para não ver uma criança descendo da calçada.

Como se adaptar rapidamente - e evitar uma surpresa desagradável pelo correio

A proteção mais simples é mudar o que você faz antes de ligar o motor. Defina o destino, a playlist e o sistema viva-voz enquanto ainda está estacionado.

Depois, deixe o celular num lugar em que ele realmente não “caia” na sua mão. Porta-luvas, compartimento fechado ou um suporte fora de alcance - não apenas fora da vista.

Se você realmente precisar usar como GPS, prenda o aparelho num suporte firme e só toque nele quando estiver estacionado com segurança e com o motor desligado. Não em faixa de rolamento. Não no semáforo vermelho. Esse pequeno ritual antes de sair evita muita dor de cabeça depois.

Muitos motoristas só ouviram falar por alto dessa mudança - e é aí que começa o problema. Eles sabem que mandar mensagem ao volante é proibido, então presumem que um toque rápido no trânsito lento “não dá nada”.

Outros se apoiam em mitos antigos: “Se eu não estou andando, não conta.” Ou: “Eu seguro aqui no colo e ninguém vê.”

Câmeras de beira de estrada, fiscalização ao estilo de faixa de ônibus e envios de gravações de dashcam por outros condutores estão, discretamente, demolindo essas certezas. A tecnologia consegue dar zoom, recortar e congelar o momento exato da sua mão deslizando na tela. Quando o flash dispara, a discussão já acabou.

Há ainda um lado emocional de que quase ninguém fala. Num dia corrido, o celular parece uma boia: mensagens da família, e-mails do trabalho acumulados, grupos apitando sem parar.

“Eu só olhei para baixo porque minha filha tinha mandado mensagem duas vezes seguidas”, contou um entregador de 39 anos, de Leeds. “Quando levantei a cabeça, o carro da frente tinha parado. Eu freiei tão forte que achei que ia atravessar o para-brisa. Eu prefiro levar uma multa do que sentir aquilo de novo.”

  • Nova regra em português claro: nada de usar celular na mão enquanto dirige ou enquanto está no trânsito ativo, mesmo que seja só para tocar na tela.
  • Penalidade imediata: multa de £200 e 6 pontos, com risco real de perder a carteira se você for motorista recém-habilitado.
  • Armadilha escondida: usar o celular “apenas” como GPS só é seguro se estiver num suporte e você não segurar nem interagir com ele enquanto anda ou enquanto estiver parado no trânsito.

Para além da multa: o que essa mudança realmente significa para motoristas no dia a dia

Essa regra não trata apenas de punição; ela aponta para o tipo de estrada com que queremos conviver. Num anel viário lotado no horário de pico, uma olhada distraída pode iniciar uma sequência de freadas bruscas, quase colisões e batidas leves que travam tudo por quilómetros.

Todo mundo já ficou preso num engarrafamento sem entender por que o fluxo “morreu” de repente. Muitas vezes, a origem foi algo pequeno: alguém desviando a trajetória porque estava meio lendo uma mensagem escondida sob o volante.

As novas ferramentas de fiscalização tentam cortar esses gatilhos minúsculos. Ao pesar no bolso, elas procuram tornar caro demais arriscar “só uma olhadinha”.

Existe também um efeito silencioso: como as pessoas se sentem ao dirigir. Motoristas relatam uma pressão constante para responder na hora - ao chefe, ao grupo, à avalanche de notificações.

Largar o celular por meia hora pode parecer, estranhamente, radical. Ainda assim, muitos que adotam isso dizem que dirigir fica mais calmo, mais atento e, sinceramente, menos cansativo.

Vamos ser sinceros: ninguém faz isso com perfeição todos os dias. Em alguns momentos, você vai esquecer, levar a mão ao celular no semáforo e se dar conta no meio do gesto. É nesses pequenos instantes de consciência que o hábito começa a se quebrar.

Com o tempo, a regra pode até influenciar o design dos próprios carros. Mais comandos no volante. Assistentes de voz mais inteligentes. Integrações melhores para que você quase nunca precise baixar o olhar.

Até isso virar padrão para todos, a realidade é simples e um pouco desconfortável. A lei passou a esperar que você trate o celular no carro como gerações anteriores tratavam um cigarro aceso perto de um tanque cheio de combustível: mantenha sob controlo, ou não se surpreenda com as consequências.

Numa noite fria na M6, com a chuva picando o para-brisa e um rastro de luzes de freio sumindo no horizonte, essa escolha fica muito próxima - e muito real. E é exatamente aí que essa nova regra vai testar que tipo de motorista você é quando ninguém parece estar olhando - exceto a câmera.

Ponto-chave Detalhe Importância para o leitor
Alcance da nova regra Proíbe qualquer uso de celular/telemóvel segurado na mão, mesmo parado no trânsito com o motor ligado. Entender por que um “simples olhar” pode resultar numa multa pesada.
Sanções previstas Multa de £200 e 6 pontos, com risco de perda da carta de condução/carteira para novos motoristas. Ter clareza do custo financeiro e das consequências legais da infração.
Estratégias para se adaptar Preparar rota e música antes de sair; guardar o celular ou fixá-lo num suporte; deixar qualquer uso para quando estiver estacionado com o motor desligado. Diminuir o risco de infração sem abrir mão de um nível razoável de conforto ao dirigir.

Perguntas frequentes

  • Essa regra vale se eu estiver preso no trânsito e sem sair do lugar? Sim. Se você estiver numa faixa ativa com o motor ligado - mesmo em trânsito totalmente parado - usar celular na mão pode resultar em multa.
  • Posso usar o celular como GPS com a nova lei? Sim, desde que esteja num suporte seguro, você defina a rota antes de sair, e não segure nem interaja com o aparelho enquanto estiver em movimento ou parado no trânsito.
  • Tocar no celular no semáforo vermelho ainda é ilegal? Na maioria dos casos, sim. Semáforo vermelho conta como estar “na via”. A exceção segura é quando você está devidamente estacionado com o motor desligado.
  • E se eu só usar o celular para trocar a música ou atender uma chamada? Usar celular na mão por qualquer motivo enquanto dirige é arriscado. Comandos viva-voz e botões no volante são a opção mais segura e compatível com a lei.
  • Como eu posso provar que não estava usando o celular se eu receber uma multa? Você pode contestar a penalidade no tribunal, mas vai precisar de provas, como registos do aparelho/linha ou imagens de dashcam. Prevenir é muito mais fácil do que discutir depois.

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