Os novos radares da faixa de carona parecem ainda não estar totalmente afinados. Veja o que está a acontecer.
No ano passado, um novo modelo de radar começou a operar no anel viário de Paris (Boulevard Périphérique). E, para muitos condutores, a receção passou longe de ser positiva: em apenas três semanas, o sistema já tinha gerado mais de 4000 multas.
A razão é simples: algumas faixas passaram a ser reservadas ao covoiturage (carona), o que torna proibido circular por elas quando se está sozinho no carro. Para poder utilizar essas faixas, é preciso haver pelo menos duas pessoas a bordo, ou então tratar-se de táxi, veículo prioritário ou um caso enquadrado em situação de deficiência.
Na prática, quem não cumpre a regra corre o risco de receber uma multa pesada de 135 euros. Depois de alguns meses de funcionamento, porém, esses radares - apesar de toda a tecnologia - estão a esbarrar num problema relevante: bebês. Tudo indica que o sistema não consegue identificar corretamente crianças em cadeirinhas. Resultado: vários condutores acabam multados mesmo estando dentro das regras.
Sim, um bebê é um passageiro de verdade
Se o condutor estiver sozinho no veículo, está terminantemente proibido entrar na faixa de carona. Mas a própria Prefeitura de Paris confirma que um bebê conta, sim, como passageiro.
Ainda assim, alguns motoristas foram surpreendidos com autuações mesmo com a criança presente na cadeirinha, o que evidencia uma falha no processo de verificação.
Como os novos radares identificam infrações na faixa de carona
Esses radares são descritos como altamente sofisticados. Para detetar infrações, recorrem a câmaras térmicas e inteligência artificial.
Mesmo assim, a tecnologia, por si só, não é quem define a punição. Quando o sistema aponta uma possível irregularidade, um agente humano deve confirmar se realmente havia apenas uma pessoa no interior do veículo. Só que, ao que tudo indica, a falha acaba a ocorrer nessa etapa - um indício de erro humano.
Relatos de multas e o risco de pagar 135 euros por engano
Nos últimos tempos, têm surgido vários relatos de pessoas autuadas apesar de estarem a viajar com o bebê. É o caso, por exemplo, de Souhaila, citada numa reportagem do jornal Le Parisien: ela recebeu duas multas (bem) pesadas num intervalo de um mês, enquanto levava a filha até a casa da cuidadora.
E, pelo que se observa, não importa se a cadeirinha está no banco da frente ou instalada no banco de trás - o risco de o sistema falhar parece ser o mesmo. Com isso, cresce a probabilidade de alguém ser penalizado com 135 euros indevidamente.
Mesmo que os condutores autuados nessas condições estejam com a razão e acabem por conseguir o cancelamento da multa, esse tipo de erro consome muito tempo de todos os envolvidos - o que, naturalmente, gera frustração.
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