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Gigafactory da Tesla em Berlim vive fase difícil

Carro elétrico branco Tesla Model Y em showroom com braços robóticos ao fundo.

A gigafactory instalada nos arredores da capital alemã está a atravessar um momento delicado.

Dá para dizer, sem exagero, que a gigafactory da Tesla em Berlim passa por uma fase ruim. Entre um clima social tenso e a queda nas vendas na Europa, surge a dúvida: os dias dessa megaunidade do grupo de Elon Musk estariam contados?

Essa é a questão levantada pelo site especializado Electrek, que lembra, por exemplo, que a Tesla já vendeu no passado muito mais carros na Europa do que na China - o que tornava a produção local uma escolha totalmente coerente.

Vendas da Tesla na Europa e capacidade da gigafactory de Berlim

Ao analisar os números de 2025, a situação virou de forma expressiva: hoje, a marca comercializa menos veículos no Velho Continente do que antes de a gigafactory alcançar a plena capacidade. Embora a fábrica tenha potencial para produzir 375.000 Teslas, os europeus compraram apenas 235.000 unidades em 2025.

Com isso, o complexo de Berlim não estaria a gerar um efeito positivo para a Tesla no mercado europeu. E, no plano global, a instalação basicamente serviu para abrir espaço e realocar parte da produção dos EUA e da China para outros mercados - e pouco além disso, destacam os colegas.

Conflito trabalhista com o sindicato IG Metall

Além do cenário comercial, há atritos entre a administração da unidade e o poderoso sindicato IG Metall. Enquanto a entidade defende a adoção de uma semana de 35 horas no local, o diretor da fábrica teria feito alertas de tom alarmista sobre o futuro do site, segundo o Electrek, citando o veículo alemão Handelsblatt.

Em outras palavras, a liderança estaria a dizer aos funcionários que, caso o IG Metall assuma o controlo do comitê de empresa, novos investimentos na gigafactory serão interrompidos. Assim, o desfecho para a planta ainda não está definido - e um novo tema entrou na pauta.

Rumo à produção local de baterias na gigafactory de Berlim?

De acordo com informações da Bloomberg, a Tesla considera passar a fabricar baterias na unidade alemã a partir de 2027. Por enquanto, a empresa de Elon Musk precisa justamente importar as baterias de outras fábricas. Ainda segundo o veículo americano, o plano miraria uma capacidade de 8 GWh, o equivalente a 130.000 veículos por ano.

Fica claro, portanto, que a gigafactory de Berlim está em turbulência, mas o seu destino não está necessariamente selado. Ainda mais porque uma redução forte de produção - ou mesmo um encerramento - traria um impacto bastante negativo para a imagem do fabricante.

Polêmicas ambientais e atrasos no projeto

Vale lembrar que essa fábrica gigantesca já acumulou controvérsias no passado, sobretudo na fase de implementação. Ativistas ambientais criticaram o consumo de água, enquanto alguns temiam que a operação pudesse usar até 30% do volume disponível na região.

Também houve indignação com a derrubada de árvores prevista no projeto e com o possível deslocamento de certos animais. Isso provocou atrasos, mas, ainda assim, a gigafactory abriu as portas em outubro de 2021. Há mais detalhes sobre o tema em um artigo anterior publicado por nós.

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