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Renault decide o fim da Ampere sob François Provost

Carro elétrico branco da Renault modelo Ampere-End em showroom moderno com estação de recarga ao fundo.

A Renault decidiu encerrar a Ampere, estrutura criada para concentrar os veículos elétricos e os softwares do grupo. A mudança, conduzida pelo novo CEO, François Provost, levanta a questão sobre o destino do projeto que deveria representar o futuro elétrico da marca.

Depois de registrar um ano de 2025 considerado bastante satisfatório, a Renault se prepara para alterar uma parte relevante da sua estratégia de eletrificação. De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters em 21 de janeiro, a montadora planeja deixar de manter a Ampere como entidade autônoma a partir de 1º de julho. A proposta foi apresentada aos sindicatos no mesmo dia. Na versão oficial, a reorganização não deve resultar em demissões nem em mudanças nos contratos já em vigor.

O que muda com o fim da Ampere como entidade independente

Na prática, a Ampere não será extinta por completo, mas deixará de existir como subsidiária separada: suas frentes de atuação serão reincorporadas diretamente ao Renault Group. O objetivo declarado é enxugar a estrutura, cortar custos e acelerar a execução dos próximos projetos voltados a elétricos e software.

Ampere e Renault Group: como ficam engenharia e fábricas

As equipes de engenharia da Ampere passarão a compor o núcleo central de pesquisa e desenvolvimento do grupo. As fábricas envolvidas - em especial as de Douai, Maubeuge e Ruitz, no norte da França - voltarão para o comando direto da Renault, assim como a unidade de Cléon, dedicada às motorizações. A liderança técnica ficará com Philippe Brunet, que já havia sido nomeado em setembro para chefiar a engenharia tanto da Ampere quanto do Renault Group.

Uma estreia na Bolsa que não aconteceu

Apesar do desfecho, a Ampere foi idealizada como um projeto emblemático. Criada no fim de 2023 por Luca de Meo, então CEO da Renault, a subsidiária pretendia se tornar o primeiro pure player europeu voltado a veículos elétricos e softwares. A intenção era separar de forma nítida as operações térmicas e elétricas, ganhando agilidade tecnológica e atraindo investidores especializados.

Ela também deveria ajudar a Renault a acelerar o desenvolvimento de modelos mais acessíveis, como o Renault 5 elétrico, ao mesmo tempo em que construía uma plataforma de software própria. Na visão de Luca de Meo, a estrutura transformaria a Renault em um "construtor de nova geração", apto a competir com empresas que já nasceram no universo dos elétricos.

No entanto, esse plano dependia de uma abertura de capital. A Renault buscava uma avaliação em torno de 10 bilhões de euros, mas o projeto foi abandonado no começo de 2024, quando o mercado de carros elétricos se voltou de forma abrupta, levando investidores a ficarem bem mais cautelosos em relação às perspectivas de crescimento.

"Como não há mais IPO, não há mais necessidade de uma entidade específica. Por isso a Renault reintegra o conjunto para simplificar e eliminar a complexidade inerente ao modelo inicial", explicou à Reuters uma fonte próxima do assunto. A decisão representa a segunda guinada estratégica em menos de dois meses sob o comando de François Provost. Em dezembro, a Renault já havia anunciado o encerramento da maior parte das atividades de mobilidade compartilhada da sua subsidiária Mobilize.

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