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Polestar recebe 600 milhões de dólares da Geely e evita saída da NASDAQ

Carro elétrico branco Polestar 600 estacionado em ambiente interno moderno com detalhes em vidro.

Colocada na UTI financeira, a montadora agora carrega uma dívida grande no para-choque. A Polestar continua em movimento, mas sob vigilância apertada da sua controladora chinesa.

Polestar entre a herança da Volvo e o controle da Geely

A Polestar está longe de ser uma start-up, mas ainda é difícil tratá-la como uma fabricante plenamente consolidada - como a BYD, por exemplo, que já roda pelo mundo todo. Nascida dentro do ecossistema da Volvo e, depois, passada ao guarda-chuva do gigante chinês Geely, a marca hoje fica no meio do caminho entre o legado de segurança do fabricante sueco e a força tecnológica da China.

Mesmo com modelos que convencem (como o Polestar 3 e o Polestar 4), o lado financeiro entrou em vermelho vivo. Com o risco de ser retirada da NASDAQ (a bolsa de tecnologia dos Estados Unidos), a empresa acabou recebendo um resgate em cima da hora vindo da Geely por meio da sua estrutura sueca: um aporte decisivo de 600 milhões de dólares. A Polestar está pagando o preço de ter chegado tarde ao mercado global de elétricos?

Carros sólidos, mas um modelo econômico frágil

Em 2025, as entregas continuaram avançando, embaladas por uma imagem de marca forte e por tecnologia de ponta. Já a situação financeira segue em outro trilho: em mais de uma ocasião, a ação da companhia chegou muito perto de um nível considerado crítico, o que ajuda a entender por que a ameaça de saída da NASDAQ passou a rondar a empresa. Para uma marca que quer se posicionar como referência no elétrico premium, perder a listagem seria um recado extremamente negativo.

O motivo é simples: a Polestar está presa a uma corrida contra o tempo - e caríssima. Tocar ao mesmo tempo o desenvolvimento de quatro a cinco modelos elétricos de luxo exige um volume de capital gigantesco que as vendas atuais ainda não conseguem sustentar. Resultado: a empresa consome mais caixa do que consegue gerar. A lembrança inevitável é a fase inicial turbulenta da Tesla, que precisou recorrer mais de uma vez ao Governo americano para não quebrar.

Empréstimo de 600 milhões e supervisão rígida da Geely

Para evitar um tombo, a Geely Sweden Holdings AB voltou a colocar dinheiro na mesa. Mas vale o alerta: esse empréstimo de 600 milhões de dólares não é um cheque em branco. O acordo foi dividido em duas parcelas de 300 milhões: a primeira é liberada de imediato para manter as operações do dia a dia, enquanto a segunda parte depende de aprovação expressa do credor. Ou seja, a empresa ficará sob observação e terá de demonstrar disciplina severa na gestão de liquidez para acessar o restante.

Runway financeira e modelos até 2028

Esse reforço de capital serve para alongar a runway financeira - a janela em que a Polestar precisa virar o jogo e alcançar a lucratividade antes que o tanque volte a secar. Na prática, a Geely mantém sua aposta em “respiração assistida” até que o crescimento das vendas feche o buraco.

Com diversos lançamentos já encaminhados até 2028 (como o Polestar 7, um SUV grande e de luxo), a marca ainda tem cartas interessantes para tentar dar certo. Resta ver se esses 600 milhões serão suficientes para mantê-la flutuando em um mercado de elétricos que, em menos de 10 anos, virou uma verdadeira arena - onde os mais frágeis, mesmo os mais talentosos, dificilmente sobrevivem por muito tempo.

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