Pular para o conteúdo

Citroën C5 Aircross: o 1.5 BlueHDi diesel é a melhor «ferramenta»?

SUV branco Citroën modelo BlueHDi 1.5 em exposição em showroom moderno.

Meu avô sempre repetia que, para cada tarefa, existe a ferramenta certa. Levando essa ideia para o universo automotivo, fica a dúvida: em um SUV familiar como o Citroën C5 Aircross, será que a melhor «ferramenta» é mesmo um motor diesel?

É isso que quero responder ao voltar a guiar o C5 Aircross - agora com o 1.5 BlueHDi a diesel - depois de já ter convivido com ele equipado com o 1.2 PureTech a gasolina.

Preciso reconhecer que eu não peguei o carro com expectativas modestas. Esse mesmo motor já tinha me impressionado pelo desempenho e pela economia no Peugeot 308 SW; a questão era entender como ele se comportaria no C5 Aircross, mais pesado.

Diferenças? Só auditivas

Por fora, não há como separar, no olhar, o C5 Aircross movido a gasolina do C5 Aircross com o motor criado por Rudolf Diesel.

No interior, a história é a mesma: nada muda de forma perceptível. Até o típico ruído de funcionamento que denuncia a «dieta» a diesel do quatro-cilindros aparece bem abafado, ficando mais como um som distante. E isso acontece dentro de um C5 Aircross que continua a se destacar pelo espaço interno e pelo conforto entregue aos ocupantes.

Mesma potência, rendimentos diferentes

A matemática não falha, mas no mundo dos carros a ficha técnica nem sempre explica a experiência ao volante. É exatamente o que se percebe ao comparar o C5 Aircross 1.2 PureTech com o C5 Aircross 1.5 BlueHDi olhando apenas para os números.

Motorização Potência Binário 0-100 km/h Vel. máxima
1.2 PureTech EAT8 131 cv às 5500 rpm 230 Nm às 1750 rpm 10,3s 188 km/h
1.5 BlueHDi EAT8 131 cv às 3750 rpm 300 Nm às 1750 rpm 10,6s 189 km/h

Como dá para ver, os dois têm a mesma potência (muda apenas o giro em que ela aparece), os números de desempenho são quase iguais e a diferença mais evidente - como era esperado - está no binário, com vantagem para o diesel.

Mesmo assim, depois de dirigir o C5 Aircross com as duas motorizações, sempre com câmbio automático de oito marchas, ficou claro para mim que os números não «contam a história toda».

Não é apenas o binário maior do 1.5 BlueHDi que ajuda a empurrar o C5 Aircross com mais facilidade; a forma como ele entrega força ao longo da faixa de giros também pesa. O resultado é uma condução mais leve, relaxada e agradável.

As retomadas ficam mais tranquilas, assim como sustentar uma velocidade de cruzeiro alta em rodovia - inclusive com o Citroën C5 Aircross carregado. Notei ainda que o câmbio automático (bem escalonado, vale dizer) passa a precisar intervir com menos frequência.

Para fechar, a «cereja no topo do bolo» é o consumo. Chegar a médias de 5 l/100 km não exige grande esforço e, rodando de modo mais calmo, cheguei a registrar 4,7 l/100 km - algo entre 2 e 2,5 litros a menos do que no 1.2 PureTech a gasolina.

Tudo isso reforça a vocação rodoviária do SUV da Citroën, deixando o uso especialmente prazeroso em estradas e rodovias, seu “habitat natural”.

É o carro certo para você?

Se o Citroën C5 Aircross com motor a gasolina já se mostrou uma opção bem competente, com o 1.5 BlueHDi diesel o SUV francês ganha ainda mais argumentos.

As qualidades para estrada ficam mais claras e essa é a alternativa ideal para quem roda muitos quilômetros; o 1.2 PureTech custa menos, mas consome mais e a pequena vantagem teórica nas prestações não aparece no «mundo real». No fim, ele tende a fazer mais sentido para quem se desloca mais no uso urbano.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário