Waymo está a recorrer ao modelo de mundo Genie 3, da Google, para treinar o seu sistema de condução autónoma em situações que são difíceis de captar no mundo real - por exemplo, um elefante parado no meio da estrada ou a passagem de um tornado.
Waymo Driver e o peso das simulações
A Waymo, subsidiária da Google, é hoje a principal referência global em robotáxis. Numa publicação recente, a empresa afirma que o seu sistema de condução automatizada, o Waymo Driver, já conduziu de forma totalmente autónoma por mais de 200 milhões de milhas, o que equivale a mais de 321 milhões de km. Segundo a companhia, uma parte importante do desempenho do sistema é atribuída às simulações, que permitem ao Waymo Driver aprender a lidar com cenários complexos.
Para ampliar a variedade e a riqueza desses testes simulados, a Waymo diz que passou a usar o modelo de mundo Genie 3, desenvolvido pela DeepMind (a divisão de IA da Google). Vale lembrar que modelos de mundo são um tipo de IA concebido para “entender” o mundo físico. A Google apresentou o Genie 3 em 2025 e, mais recentemente, ele foi integrado ao Gemini, permitindo que utilizadores (do plano correspondente) criem mundos virtuais de videojogos a partir de um simples prompt.
Com o Genie 3, a Waymo consegue simular cenários extremos
Se no Gemini o Genie 3 é usado para gerar mundos 3D, na Waymo a tecnologia serve para criar e testar cenários específicos, usados no treino do sistema de condução autónoma. Como descreve a empresa: “Ao aproveitar o vasto conhecimento do Genie sobre o mundo, é possível simular eventos extremamente raros, que vão de um tornado a um encontro fortuito com um elefante, e que são quase impossíveis de reproduzir em grande escala na realidade. A arquitetura do modelo oferece grande maleabilidade, permitindo que os nossos engenheiros modifiquem as simulações com comandos de voz simples, dados de entrada e layouts de cena”.
Expansão internacional e simulação de novos países
Outro ponto destacado é que, com apoio de IA, a Waymo tende a conseguir simular ambientes de países onde ainda não opera - algo relevante num momento em que a empresa avança gradualmente na internacionalização. A subsidiária da Google prepara o seu lançamento em Londres e em Tóquio. Recentemente, a companhia captou mais 16 mil milhões de dólares, chegando a uma valorização de 126 mil milhões de dólares. Esses novos recursos deverão apoiar a continuidade da expansão global da Waymo.
Modelos de mundo ganham espaço além dos grandes modelos de linguagem
Num período em que a indústria tem dado grande ênfase aos grandes modelos de linguagem, a comunicação da Waymo também chama atenção para a importância das IAs conhecidas como modelos de mundo em aplicações industriais. Esse é, inclusive, o mesmo tipo de IA que a nova startup de Yann LeCun pretende desenvolver.
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