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Na África do Sul, a Mercedes-Benz produziu o Honda Civic (EG) como Honda Ballade - e até com versão AMG

Carro esportivo branco Honda Ballade AMG em showroom moderno com paredes de vidro e planta ao fundo.

O mundo dos carros é cheio de histórias difíceis de acreditar - e muitas delas a Razão Automóvel já contou ao longo de quase 10 anos. Vocês se lembram do Land Rover Discovery fabricado pela Honda, ou dos Mitsubishi preparados pela AMG?

Esses são só dois entre vários exemplos que dá para encontrar na seção de clássicos da Razão Automóvel. E agora existe mais um episódio para entrar na lista de histórias improváveis.

No fim do século passado, na África do Sul, a Mercedes-Benz chegou a produzir o Honda Civic (EG) e, para completar, ainda existiu uma versão AMG. Nesse mercado, porém, o modelo usava outro nome: Honda Ballade.

Uma solução para dois problemas

Pelo que se sabe, no começo dos anos 80 a Honda queria estrear no mercado automotivo sul-africano, mas esbarrava em dois obstáculos: não tinha fábrica e também não contava com uma rede de concessionárias no país. Já a Mercedes-Benz tinha as duas coisas - inclusive uma planta que produzia veículos na região desde 1958.

Para a Honda, a parceria funcionava como porta de entrada. Para a Mercedes-Benz, era uma forma de ampliar volume, adicionando um carro mais acessível do que o então recém-lançado Mercedes-Benz W 201, o respeitado 190. Assim, os dois fabricantes assinaram um acordo que, à primeira vista, parecia improvável.

Pouco depois, a Mercedes-Benz começou a produção local, sob licença, do Honda Ballade (primeira geração) em 1982 - que na Europa foi vendido como… Triumph Acclaim - e passou a oferecê-lo em suas próprias concessionárias como um sedã compacto de perfil mais luxuoso.

Mesmo quando a Honda encerrou o Ballade e o substituiu pelo Concerto, em 1987, o nome Ballade seguiu vivo na África do Sul, desta vez identificando a versão de quatro portas do Honda Civic.

O Civic da Mercedes-Benz

Em 1991, a Honda lançava a nossa bem conhecida quinta geração do Civic (EG) - e ela também foi fabricada pela Mercedes-Benz África do Sul, novamente rebatizada como Ballade.

Em relação ao Honda Civic que conhecemos, as mudanças eram discretas: esse “Civic da Mercedes-Benz” vinha com couro de origem Mercedes-Benz nos bancos, rádio Becker e um sistema de alarme, igualmente, da Mercedes-Benz.

Infelizmente, há pouca documentação sobre esse período do Honda Civic produzido pela Mercedes-Benz. Existem poucos registros na internet - algo que, nos anos 90, era praticamente inexistente. Um dos poucos registros que existem está no YouTube:

No vídeo, dá para notar diferenças no interior, especialmente no sistema de som, que era mais avançado do que o da Honda.

AMG chamada a intervir

Não foi só a Mercedes-Benz que entrou nessa salada “germano-nipônica”. Os engenheiros da AMG - na época ainda uma empresa independente - também contribuíram.

As informações são limitadas, mas as versões 160i e 180i (referência às cilindradas) do Honda Ballade receberam uma variante AMG. Elas inclusive exibiam o logotipo da marca alemã na carroceria.

Indo ao que realmente interessa, esses modelos passaram a usar molas Eibach 20 mm mais baixas e rodas AMG de 15". O pacote AMG também trazia um spoiler traseiro e para-choques pintados na cor da carroceria.

Apesar de algumas fontes apontarem que a AMG também teria mexido nos motores do Ballade, não encontramos registro de mudanças mecânicas. Curiosamente, ambos entregavam a mesma potência de 132 cv (97 kW) - e o 1.8 surgiu depois, para compensar a falta de torque do 1.6.


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