Pular para o conteúdo

Renault freia a Mobilize Fast Charge: meta de 650 estações até 2028 em revisão

Carro elétrico Renault Mobilize-EV branco em exposição, com carregador ao fundo e reflexos no chão.

Plano inicial da Renault para 650 estações até 2028

No começo do ano, a Renault dizia querer ampliar com força a presença do Mobilize Fast Charge na Europa, com a meta de instalar mais de 650 estações até 2028. A proposta era priorizar os principais mercados europeus (com exceção da Alemanha), com pontos de recarga sobretudo na França, mas também na Bélgica, na Espanha e na Itália.

Divulgado em março, o plano previa estações capazes de entregar até 320 kW de potência - um patamar voltado a recargas ultrarrápidas e compatível com a ambição de acelerar a adoção do elétrico no continente.

Renault pisa no freio na rede Mobilize Fast Charge

Apesar desse impulso anunciado, François Provost, no comando da Renault, decidiu colocar em pausa os investimentos relacionados à Mobilize. Hoje, a rede Mobilize soma pouco mais de 60 estações em território francês e, pela projeção atual, deve chegar a um pouco menos de 100 unidades até o fim de 2026.

Segundo o jornal Les Echos, é justamente a partir de 2026 que o grupo planeja interromper temporariamente os aportes ligados a essas instalações, em parte por causa de uma rentabilidade considerada aquém do necessário. A própria Renault afirma que "O número médio de recargas por dia fica bem abaixo do esperado" - em um contexto no qual a marca também registrou, em julho passado, uma queda expressiva nos seus lucros.

Na prática, o Mobilize Fast Charge ainda tem baixa visibilidade na França, com cobertura bem limitada em algumas regiões. Não há estações na região parisiense, por exemplo, já que a unidade de Noisiel segue em construção. Na área de Lyon, a situação é parecida: há uma estação em Villefranche-sur-Saône. Também não há nada do lado da Normandia.

Concorrência, rentabilidade e o papel da Mobilize na estratégia

Vale lembrar que a maior parte dessas estações de recarga rápida - capazes de “encher” a bateria em cerca de 15 a 20 minutos - foi instalada em terrenos pertencentes a concessionárias Renault. Em geral, elas ficam a poucos minutos de grandes rodovias, o que facilita o acesso, mantendo ao mesmo tempo a solução integrada ao ecossistema do fabricante.

Mesmo sem querer se afastar do projeto, a Renault segue tratando a Mobilize como um elemento central da jornada do cliente. O objetivo, agora, é ganhar tempo para checar com a distância necessária se o caminho escolhido é realmente consistente, antes de assumir investimentos de grande escala em nível europeu. A mensagem interna é de cautela planejada - e não de desistência.

Essa prudência também se explica pelo nível de competição no segmento de recarga rápida, onde aparecem nomes como a rede da Tesla, a Ionity e outros grupos, como Shell e TotalEnergies. Para a Renault, a prioridade passa a ser a rentabilidade do Mobilize Fast Charge, em vez de avançar rapidamente com a expansão.

Do lado dos lançamentos, a Renault oficializou há pouco a nova Twingo elétrica, com um visual que presta homenagem à primeira geração, apresentada no início dos anos 1990.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário